Teoria Literária

Por Ana Lucia Santana
O leitor comum, ao desfrutar de uma obra, dificilmente pensará em teorizar sobre ela. Mas, na verdade, desde a era dos antigos gregos havia já uma preocupação em compreender a literatura e seus meandros, seus vários ângulos. Pode-se dizer que com as obras de Homero, Odisséia e Ilíada, nos séculos V e IV a.C, nasceu a necessidade de construir a Teoria da Literatura.

Nestas criações homéricas eram analisados o papel, a fonte e a essência da literatura, que detinha, entre outras qualidades, o poder de seduzir as pessoas, quando elas se reuniam para ouvir a narração de histórias, ainda no seu estágio oral.

Platão, em A República, e Aristóteles, na Poética, teorizaram mais profundamente sobre os aspectos literários, sendo atualmente considerados os pioneiros das pesquisas sobre a Literatura. Durante o Classicismo, marco artístico, cultural e literário que vigorou na Itália, durante o Renascimento, predominou o culto aos clássicos greco-romanos, que foram resgatados, reinventados e publicados em vários países e diferentes línguas.

Logo depois, com a ascensão do Humanismo, que centralizava o foco das atenções no indivíduo, o escritor passa a ser o núcleo das análises, que passam a se valer dos aspectos biográficos destes artistas, na tentativa de entender suas produções a partir de suas trajetórias existenciais. A partir do século XIX, um novo ponto de vista começa a surgir, com um teor científico, transformando assim a literatura em ciência.

Agora os teóricos procuram na obra uma forma de unir a vida do escritor ao contexto sócio-político em que ele viveu e produziu. Este período vê a perspectiva científica triunfar com a ampliação do ideal racionalista inerente ao Iluminismo. Muitos já se referem à ciência da literatura, a qual possui inclusive métodos próprios, que revezam ou combinam padrões biográfico-psicológicos, sociológicos e filológicos.

Mas é no século XX, como crêem a maior parte dos pesquisadores, que nasce a Teoria Literária como ela é conhecida hoje, com o surgimento de escolas como a Neo Crítica dos EUA, e o Formalismo Russo. Ambas advogam que os estudos literários devem buscar na própria literatura as fontes necessárias, em uma análise imanente, sem precisar recorrer a outras disciplinas. Eles pretendem se voltar para a compreensão da estrutura literária, das suas características.

Ao longo da evolução da Teoria Literária, predominaram duas categorias distintas na forma de analisar as obras – a normativa, que postulava a estética clássica, segundo a qual toda produção literária deve adotar normas inflexíveis, baseadas em um cânone previamente estabelecido, metodizando a forma antes de elaborar o texto; e a descritiva, que defendia a estética romântica, a qual concedia ao escritor total liberdade na criação de sua obra, que só posteriormente seria classificada em um determinado gênero da literatura.

A Teoria Literária estuda a literariedade, a evolução literária, os períodos da literatura, os gêneros, a narratividade, os versos, sons e ritmos, as influências exteriores sobre a produção literária, entre outros aspectos desta disciplina.