Vinícius de Moraes

Por Cristiana Gomes
Marcus Vinicius da Cruz de Mello Moraes nasceu em 19 de outubro de 1913 e morreu em 9 de julho de 1980 no Rio de Janeiro.

Vinicius é um os maiores compositores brasileiros e um dos fundadores do movimento Bossa Nova. São dele estes versos:

“Olha que coisa mais linda
mais cheia de graça
É ela menina
Que vem e que passa”

“Quando a luz dos olhos meus
E a luz dos olhos seus
Resolvem se encontrar
Ai que bom que é isso, meu Deus,
Que frio que me dá o encontro desse olhar”

Porém, muitos não sabem que ele também foi um grande poeta da Segunda Fase do Modernismo Brasileiro (1930 – 1945)

Veio de uma família de intelectuais e em 1928 começou a compor músicas. É formado em Letras e Direito. Em 1933, publicou seu primeiro livro de poemas: O caminho para a distância. Foi crítico de cinema e diplomata (morou em Los Angeles, Paris e Montevidéu) e conheceu artistas do mundo todo.

Em 1956, publicou a peça teatral Orfeu da conceição e obteve muito sucesso.
A primeira fase da poesia de Vinicius de Moraes é marcada pela preocupação religiosa, angústia e a vontade de superar as dores deste mundo.

Já a segunda fase, apresenta versos longos com uma linguagem abstrata, alegórica e declamatória.

No sangue e na lama
O corpo sem vida tombou.
Mas nos olhos do homem caído
Havia ainda a luz do sacrifício que redime
E no grande Espírito que adejava o mar e o monte
Mil vozes clamavam que a vitória do homem forte tombado na luta
Era o novo Evangelho para o homem da paz que lavra no campo.

Em 1943, publica Cinco Elegias, nessa obra o escritor se aproxima mais com os temas simples da vida, explora com sensualidade o amor e a mulher, faz uso de verso livre e a comunicação é mais direta.

SONETO DE DEVOÇÃO

Essa mulher que se arremessa, fria
E lúbrica aos meus braços, e nos seios
Me arrebata e me beija e balbucia
Versos, votos de amor e nomes feios.

Essa mulher, flor de melancolia
Que se ri dos meus pálidos receios
A única entre todas a quem dei
Os carinhos que nunca a outra daria.

Essa mulher que a cada amor proclama
A miséria e a grandeza de quem ama
E guarda a marca dos meus dentes nela.

Essa mulher é um mundo! — uma cadela
Talvez... — mas na moldura de uma cama
Nunca mulher nenhuma foi tão bela!

Vinicius de Moraes também escreveu poesia social, ou seja, uma poesia engajada, preocupada com os problemas enfrentados pela população. Um bom exemplo do envolvimento de Vinicius de Moraes nessa área é o poema Operário em Construção (1956).

Nesse poema o escritor usa uma linguagem simples e direta, além de se mostrar solidário com essa classe oprimida. Através de suas palavras o poeta tenta conscientizar os leitores.

OPERÁRIO EM CONTRUÇÃO

Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.
(...)
Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
- Garrafa, prato, facão
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, Cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.
Ah, homens de pensamento
Não sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento!
(...)

A partir da década de 60, Vinicius de Moraes começou a se afastar da Literatura e passou a se dedicar à música.

Começou a fazer shows com Dorival Caymmi, Tom Jobim, Edu Lobo, Baden Powell, Toquinho, Chico Buarque.

Vinicius morreu em 9 de julho de 1980 de edema pulmonar e até hoje lemos e ouvimos suas canções e poesias, foi um dos escritores e compositores mais populares da cultura brasileira.

Outras Obras
- Para viver um grande amor (1962)
- Para uma menina com uma flor (1966)
- Forma e exegese
- Ariana, a mulher
- Poemas, sonetos e baladas
Etc.