Memórias de um Sargento de Milícias

Por Ana Lucia Santana
Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida, é uma obra que, apesar de ser considerada integrante do movimento romântico, graças ao empenho incessante dos críticos em classificar rigidamente as produções literárias em estilos – Romantismo, Realismo, e outros mais -, destoa nitidamente das características desta escola.

O único ponto em comum entre este livro e os de seus contemporâneos é que ele também foi, inicialmente, publicado em capítulos em um periódico, o carioca Correio Mercantil, configurando, assim, um folhetim, editado toda semana neste veículo, entre junho de 1852 e julho de 1853, sem a assinatura do escritor. Ele só foi lançado no formato literário em 1854 – primeiro volume – e em 1855 – o segundo volume, subscrito como ‘um brasileiro’. O nome do escritor só foi creditado na terceira edição, quando ele já tinha falecido.

Por constituir uma obra à parte, considerada desrespeitosa e irregular pelos críticos conservadores, que não sabiam como lidar com as produções que não se enquadravam em suas categorias literárias, ela foi durante muito tempo relegada às sombras, sendo redescoberta a partir dos anos 20. Suas características, que até então provocavam desprezo entre os especialistas, a converteram em um dos livros mais carismáticos de toda a produção brasileira do século XIX.

Para conquistar a atenção do leitor, o autor criou uma narrativa que lembra muito as notícias de um jornal, composta com o discurso do povo, típico das camadas baixas e médias, exposto em capítulos concisos e de certa forma autônomos, cada um deles representando, normalmente, um evento integral. O enredo é intrincado, tecido por tramas sucessivas que somente em alguns momentos interagem entre si.

Leonardo é o protagonista desta história, o típico malandro carioca, concebido durante uma travessia marítima que conduz seus pais de Portugal ao Brasil. Desde criança ele revela seu mau gênio e antevê os desafios com os quais irá se deparar em sua existência. Rejeitado pelos pais, só lhe resta o amparo do padrinho, proprietário de uma barbearia. A forma ilícita como este profissional conquistou seu capital simboliza o famoso ‘jeitinho brasileiro’, já comum na vida social deste período.

Os feitos de Leonardo o levam incessantemente a dificuldades das quais ele se livra por meio da intervenção de seus amigos. Ele configura um personagem plano, que não se modifica em momento algum, ou seja, seus traços elementares são preservados o tempo todo. O herói mantém, assim, seu jeito malandro de ser até o final. Outras figuras do livro são consideradas alegóricas, algumas nem mesmo são nomeadas, pois apenas representam determinadas categorias.

Leonardo não conduz a narrativa, a qual é tecida por um narrador onisciente na terceira pessoa. A expressão ‘memórias’ mencionada no título se refere, portanto, ao passado, resgatado através das aventuras e desventuras de Leonardo. Duas diretrizes guiam este relato, a ordem, simbolizada pelo Major Vidigal, e a desordem, característica principal do protagonista. A vivência de uma meninice que conheceu de perto a pobreza contribui para que Manuel Antônio construa habilmente esta história, bem como cada um de seus personagens.

Resumo completo da obra:

Fontes:
http://guiadoestudante.abril.com.br/estude/literatura/materia_413965.shtml
http://pt.wikipedia.org/wiki/Mem%C3%B3rias_de_um_Sargento_de_Mil%C3%ADcias
http://www.algosobre.com.br/resumos-literarios/memorias-de-um-sargento-de-milicias.html