O Missionário

Por Felipe Araújo
Publicado no ano de 1891, o Missionário foi o livro que tornou conhecido o escritor Inglês de Sousa. Revelando uma forte influência do escritor francês Émile Zola, a obra do autor brasileiro retrata o cotidiano em uma cidade pequena do Pará com extrema fidelidade, observação e exaltação da natureza regional.

O MissionárioInglês de Sousa, após a publicação de O Missionário, teve grande aceitação da crítica. A obra foi originada de um conto chamado O Sofisma do Vigário e é considerada um romance de tese. Isso ocorre devido à proposta de apresentar um conflito entre o instinto animal e a vocação para o sacerdócio. A vítima do antagonismo é o Padre Antônio de Moraes, que não resiste aos encantos de Clarinha, uma mameluca.

Na romance de Inglês de Sousa, o padre parte para Silves, um pequeno povoado do Pará localizado na entrada da floresta amazônica. Por lá, apresenta-se como um sacerdote correto, mas o cotidiano do local começa a entediá-lo, levando-o a desbravar na mata desconhecida, onde encontra os índios munducurus, aos quais tenta catequizar.

Após ficar doente devido ao tempo que passou na mata, chega ao sítio de João Pimenta, onde conhece a mameluca Clarinha, neta de Pimenta. Após recuperar suas forças, o religioso passa a reparar na menina, que lhe instiga a libido, colocando-o em uma situação delicada perante sua filosofia de vida. Ao final, conduzindo Clarinha, volta para Silves, local que o recebe como um santo.

Algumas características de destaque de O Missionário são: demonstração do condicionamentos circunstancial, social e biológico seguindo os preceitos do Determinismo e do Naturalismo.

No começo do romance, Inglês de Sousa faz uma descrição minuciosa de Silves de maneira a lhe dar vida e corpo. Apresenta um panorama sensual e personagens icônicos como o professor, o coletor, o sacristão, o livre-pensador, o farmacêutico, entre outros. Na sequência, apresenta o sentimento de inadequação e inutilidade do Padre Antônio Morais, que se sente inútil na pequena província. Para escapar do tédio, entra em contato com a natureza selvagem dos índios, busca somente o prestígio, esquecendo-se do zelo missionário.

Ao se aventurar pela natureza da floresta amazônica, o padre convive de forma bastante íntima com mamelucos. A paisagem e o sensualismo colocam sua castidade à prova ele acaba cedendo. Na explicação da queda do religioso, o escritor cita a vida pregressa do Padre Antônio Morais, relembrando a severa disciplina que o reprimiu da infância ao seminário.

Fontes:
SOUSA, Inglês de. O missionário. São Paulo: Ática, 1987.
http://educacao.uol.com.br/biografias/ingles-de-sousa.jhtm
http://www.ufpa.br/beiradorio/arquivo/beira08/noticias8/noticia8.htm