Placebo

Por Marlene Amariz
A palavra placebo tem sua origem no latim, sendo definida como uma substância inerte ou inativa (por exemplo uma pílula de açúcar), mas que se ingerida poderá produzir um efeito que suas propriedades não possuem, ou ainda, uma “falsa cirurgia”, ou uma terapia, que muitas vezes cura ou auxilia o paciente na sua cura.

Os placebos apresentam-se na forma de tabletes, xaropes, drágeas, ou qualquer outra forma com aparência de medicação, onde, na verdade são substâncias inócuas, prescritas em lugar de preparados ativos, e utilizados também como agentes controladores em estudos experimentais sobre o efeito das drogas.

A questão de cura, ou os efeitos benéficos que os placebos trazem, até hoje não estão totalmente esclarecidos, na verdade existem mais teorias que comprovadamente conclusões, porém acredita-se que a cura estaria na mente de cada indivíduo, e que normalmente os efeitos seriam psicológicos.

Como exemplos de placebos podemos citar: uma cirurgia espiritual substituindo a convencional, terapias alternativas como os florais, cristais, e radiestesia. Também são considerados como placebos a “cura pela fé”, onde alcançam-se milagres através de orações, e as histórias das mamães e vovós para seus filhos e netos na hora de dormir para curar as dores.

O efeito Placebo

È o resultado mensurável e que se pode observar em uma única pessoa ou em um grupo de pessoas, diante do tratamento com administração de um placebo. Alguns pesquisadores utilizam-se do modelo “duplo cego”, ou seja, as pessoas envolvidas na pesquisa são divididas em dois grupos, onde à um deles administra-se o tratamento convencional e ao outro o tratamento do tipo placebo. O pesquisador não tem consciência de qual tratamento foi aplicado aos dois grupos, para não ser subjetivado, ele só saberá quando tiver em mãos os resultados para avaliação.

Efeitos benéficos ou maléficos dos Placebos

Benéficos

1) Opção de substituição de uma droga química, que tenha efeitos colaterais indesejáveis.

2) Quando o paciente acredita e tem esperança no medicamento que está tomando para ver-se livre de determinada doença, permitindo assim que o remédio faça efeito.

3) Confiança que o paciente deposita em seu médico e através de seu reconforto, cuidados e atenção causam um efeito placebo, resultando em cura..

4) Eficiente, segundo pesquisadores, em casos de stress, úlceras gástricas, artrites e outras doenças relacionadas ao sistema imunológico.

Maléficos

1) No caso de uso indiscriminado do placebo, ou quando torna-se uma dependência.

2) Quando o efeito do placebo mascara o avanço de uma doença e isso possa ser fatal.

3) Quando a opção pelo placebo ocorre de forma inadequada, por exemplo no lugar de uma droga química mais eficiente.

4) Quando o paciente não relata efeitos colaterais mesmo com os placebos, ou quando se auto-medica ou ainda aceita sugestões de outras pessoas não habilitadas para receitar.

5) Quando o paciente despende o seu tempo, seus recursos financeiros, com um tratamento do tipo placebo não recomendado para o seu caso.

6) Em determinados tipos de doença, acredita-se ser melhor o tratamento convencional. Porém, em todos os casos a orientação médica é o mais indicado.

7) Quando o tratamento com placebo é realizado por pessoas inescrupulosas, dando falsas esperanças de restauração e cura.

A ética do placebo

O placebo hoje, é um assunto fascinante e que causa controvérsias entre os profissionais da

área científica, pois seu uso correto ou incorreto pode significar o ganho ou a perda de uma vida, de uma vez que seus efeitos ainda não são completamente conhecidos. E em relação ao paciente, em que ponto é necessário ou recomendado que ele saiba que está sob um tratamento placebo?

Como podemos observar, muitas são as teorias e dúvidas, no entanto, não podemos negar que o tratamento com placebo pode ser controverso, mas em muitos casos, funciona.

Acredita-se que ações conjugadas como crenças, esperanças e sugestibilidade poderão resultar em experiências sensoriais causando efeitos bioquímicos significativos sobre o sistema neuroquímico, hormonal e imunológico, ou mesmo o efeito placebo controlando o comportamento, levando à um bem-estar físico,chegando-se à recuperação de lesões ou até a cura de doenças.

De qualquer forma, não existem dúvidas sobre a eficácia do efeito placebo, seja através do segmento psicológico, demonstração de cuidados e atenção pelo profissional da saúde ao paciente, ou até mesmo uma cura espontânea.

Partindo-se deste princípio, e cuidando-se para que o tratamento com placebo seja realizado de forma correta, ética, racional, e benéfica, é justo que o mesmo tenha liberdade de ser fornecido.

Fontes
● Nova Enciclopédia Ilustrada Folha Vol.II, dez 1996, pág.766
● Bibliomed, Inc., Vários autores, 23/Ago/2004
● The Skeptic¨s Dictionary, Carroll, Robert T., 24/Jun/2001

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