Inconsciente

Graduanda em Psicologia (PUC-SP)

Inconsciente” é o conceito polissêmico mais importante da Psicanálise.

Sigmund Freud, pai dessa escola de pensamento, com base nas tradições da psiquiatria dinâmica e filosofia alemã, polido pela prática clínica, percebeu que a psique não é redutível aos conteúdos aos quais há acesso. Assim, apresentou a teoria do inconsciente, que apresenta sentido tópico (relacionado a lugar) e adjetivo.

A primeira significação designa uma instância psíquica particular, simultaneamente interna e externa ao sujeito, portadora de mecanismos e conteúdos específicos.

Estes últimos, por serem repudiados pela consciência, passam por processos de desligamento, ou seja, a ideia e a palavra a eles relacionadas tornam-se desconectadas. Logo, é adquirido outro princípio de ligação. Assim, o inconsciente apresenta leis de associação próprias, associadas ao retorno a traços mnêmicos de satisfação, as “representantes-representações” das pulsões.

A gramática básica de seus processos primários se dá via condensação (fusão de ideias) e deslocamento (condução da energia pulsional de uma ideia para outra).

Há, ademais, a concepção de inconsciente como adjetivo, comum na linguagem coloquial. Ela designa o conjunto dos processos mentais que não são conscientemente pensados, e até mesmo o estado mental de indivíduos privados da consciência (como por exemplo o de sujeitos desacordados).

Aceso ao inconsciente

O inconsciente é percebido em suas manifestações, caras ao processo de análise. São estas:

  • Sonhos: são expressões da realização de desejos e evitações ao desprazer, na forma de regressão do pensamento a imagens. Estes fogem da lógica Aristotélica, sendo formados via condensação, figurabilidade e deslocamento e cerceamento pelos mecanismos de censura. O que é acessível ao acordar é seu conteúdo manifesto, ainda que modificado pela consciência na busca de sentido.
  • Chistes: são breves produções de prazer caracterizadas pelo exercício da função lúdica da linguagem. Um exemplo, narrado por Freud, é o de uma mulher, ao ser questionada se todas as italianas dançam mal, responder “Non tutti, ma buona parti (nem todas, mas boa parte), em jogo com “Buona parti” e “Buonaparti” (Napoleão)
  • Atos falhos: são ações que o sujeito costuma realizar bem e fracassa, atribuindo a falha, como o lapso de memória ou linguagem, à distração ou ao acaso ato. Um exemplo seria falar “pai” ao chamar um amigo.

Referências bibliográficas:

FREUD, S. Algumas observações sobre o conceito de inconsciente na psicanálise (1912). In: Obras completas, volume 10: Observações psicanalíticas sobre um caso de paranoia relatado em autobiografia (“O Caso Schereber”), artigos sobre técnica e outros textos (1911-1913); tradução Paulo César de Souza – São Paulo: Companhia das Letras, 2011.

LAPLANCHE, J; PONTALIS, J. B. Vocabulário da Psicanálise. São Paulo: Martins Fontes, 1996.

ROUDINESCO E PLON, Dicionário de Psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998.

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