Antropomorfismo

Antropomorfismo é o costume de se atribuir características humanas (ou que se presume serem humanas) a outros animais, objetos inanimados, fenômenos da natureza, estados materiais, objetos ou conceitos abstratos, como organizações, governos, espíritos ou divindades. O termo é uma combinação de duas palavras, “antropos” (homem) e “morfé” (forma) e acredita-se que tenha sido originalmente cunhado pelo filósofo grego Xenófanes, que procurava descrever a semelhança entre crentes religiosos e seus deuses, ou seja, deuses gregos, que eram retratados com uma pele clara e olhos azuis, enquanto os deuses africanos tinha a pele escura e olhos castanhos.

Mesmo bem depois das ideias de Xenófanes, o antropomorfismo continuou e persistir como uma questão relevante no raciocínio sobre a lógica das religiões em geral. O politeísmo grego é até hoje uma excelente fonte de estudos sobre a natureza e o funcionamento do raciocínio antropomórfico, na medida em que os deuses tinham todas as características humanas, todos os seus caprichos, qualidades ou defeitos. As religiões do oriente, por sua vez, como o hinduísmo ou o cristianismo também traziam sua carga de prática antropomórfica, em especial, no que tange ao cristianismo, a ideia acerca da natureza de Jesus Cristo, se esta seria divina, humana, ou reunia as duas ao mesmo tempo.

Como artifício literário, o antropomorfismo está fortemente ligado à arte de contar histórias, as chamadas “fábulas”. A maioria das culturas possuem uma longa tradição de fábulas, onde os protagonistas são animais que representam formas reconhecíveis de comportamento humano. Diversas motivações podem influenciar o antropomorfismo, como por exemplo, a falta de conexões sociais com outras pessoas, que acaba por motivar indivíduos solitários a buscar conexões com entes não-humanos. Assim, o antropomorfismo atua como uma ajuda no sentido de simplificar e dar maior sentido a episódios complexos da existência humana. Como exemplo, pode-se citar o costume de “batizar” furacões e tempestades (uma prática que se originou com os nomes dos santos, das namoradas dos marinheiros ou mesmo de figuras políticas impopulares) simplifica e facilita a comunicação eficaz, além de ajudar na mobilização do público, na propaganda pela mídia, e no estímulo de uma eficiente fluência de informações.

Existe ainda a prática diametralmente oposta à do antropomorfismo, que é conhecida pelo nome de desumanização. Esta se dá quando os seres humanos são representados como objetos ou animais selvagens. São inúmeros os exemplos históricos de desumanização, incluindo a perseguição dos judeus durante o Holocausto pelos nazistas e as torturas de prisioneiros na prisão de Abu Ghraib, no Iraque, pelas forças norte-americanas.

Bibliografia:
NAUERT, Rick. Why Do We Anthropomorphize? (em inglês). Disponível em: < http://psychcentral.com/news/2010/03/01/why-do-we-anthropomorphize/11766.html >. Acesso: 23/01/13.

Anthropomorphism. Disponível em: < http://www.tnellen.com/cybereng/lit_terms/anthropomorphism.html >. Acesso: 23/01/13.

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