Basilisco

Por Geraldo Magela Machado
Conhecido como o rei das serpentes, uma vez que todas as outras ao ouvirem seu silvo, fugiam deixando para trás até um possível banquete de alguma presa, o Basilisco era uma criatura que, supunha-se, nascia de um ovo e assemelhava-se à cabeça da Medusa, a tal ponto que, de tão horrível que era a visão dessa criatura, todo aquele que ousasse tal feito, tinha morte imediata.

O poder de morte da Basilisco, segundo a lenda, era tão forte que se um cavaleiro o matasse com uma lança, seu veneno seguiria pela arma, matando não só o cavaleiro, mas também, seu cavalo. Como em toda a lenda sobre monstros, surge na do Basilisco a figura de um santo. Conta-se que um homem santo, ao parar no deserto para beber água, viu um Basilisco e, rogando aos céus uma prece piedosa, fez com que o monstro caísse morto aos seus pés.

Os poderes superiores do Basilisco são confirmados, apesar de algumas ressalvas, por diversos sábios como Galeno, Aviceno e Scaliger. Assim como a Medusa, os olhos da Basilisco matavam quem os fitava, mas os caçadores que se dispunham a matá-lo usavam espelhos para que, vendo sua própria imagem refletida, o Basilisco se matasse com seu próprio poder.

O único animal que podia enfrentar o Basilisco e vencê-lo era a doninha que lutava ferozmente contra o monstro, e quando este a feria retirava-se para ingerir arruda, que era a única erva a qual o Basilisco não podia destruir. Depois disso, a doninha regressava à batalha com mais fúria e se parava quando destruía o monstro. Outra coisa que assustava o Basilisco era o canto do galo. Talvez pela forma como a lenda relata o nascimento do monstro, este poderia morrer apenas ao ouvir o galo cantar.

Depois de morto, a carcaça do Basilisco era colocada no templo de Apolo e de Diana. Também era colocada nas casas, por causa de seu efeito contra aranhas.

Fonte
Bulfinch, Thomas, 1796-1867 – O livro de ouro da mitologia: a idade da fábula: histórias de deuses e heróis / Thomas Bulfinch – 9ª Ed. – Rio de Janeiro: Ediouro, 2000.