Aranhas

Mestre em Ecologia e Recursos Naturais (UFSCAR, 2019)
Bacharel em Ciências Biológicas (UNIFESP, 2015)

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Apesar de pertencerem ao mesmo filo que os insetos (Arthropoda), as aranhas são da classe Arachnida e não devem ser confundidas com os membros da classe Insecta. Diversas características morfológicas diferenciam as aranhas em relação aos insetos, como por exemplo a divisão corporal em cefalotórax (fusão da cabeça e tórax) e abdômen, a ocorrência de quatro pares de pernas, a ausência das antenas, asas e mandíbulas e a presença de um par de quelíceras (usada na alimentação e para defesa) e um par de pedipalpos (usado na reprodução e locomoção).

Estrutura corporal

Assim como os demais artrópodes, as aranhas possuem um exoesqueleto rígido de quitina que as protege de danos e lhes concede sustentação. Tecidos similares a cartilagem também podem ser encontrados no interior do corpo, servindo para a ancoragem da musculatura. Ainda assim, a maior parte da força motriz usada para mover as pernas vem da pressão hidráulica criada pela movimentação da hemolinfa quando as pernas se dobram, ao invés da ação de músculos extensores.

Aranha. Foto: Vitalii Hulai / Shutterstock.com

Sistema respiratório

Por viverem expostas ao ar, com habito majoritariamente terrestre da maior parte das espécies, as aranhas possuem um sistema respiratório traqueal (similar aos insetos) com dutos dispersos pelo corpo e também um órgão filotraqueal com função pulmonar. As filotraquéias são um agrupado de lamelas localizadas na porção ventral do abdômen que eficientemente realizam trocas gasosas, dispersando oxigênio pelos tecidos abdominais e carreando parte deste para o grande coração (segmentado ou não), que bombeia hemolinfa rica em nutrientes e oxigênio para o cefalotórax das espécies maiores. Nas aranhas menores, o sistema filotraqueal e os dutos traqueais são o suficiente para oxigenar todo o corpo, sem a necessidade de carreamento de oxigênio pela hemolinfa (que ocorre através do pigmento rico em cobre, hemocianina).

Alimentação e excreção

As aranhas excretam como produto nitrogenado principal a guanina, liberada para o ambiente pelo ânus graças a ação dos túbulos de Malpighi, que se posicionam na porção terminal do abdômen. As aranhas são predadoras carnívoras dotadas de diversas estratégias para a captura e consumo de suas presas. Elas não se alimentam de partes sólidas de seus alimentos. Ao invés disso, imobilizam suas presas, seja utilizando o veneno de suas quelíceras ou suas teias, e bombeiam enzimas digestivas no corpo da presa através de seus pedipalpos e quelíceras. Posteriormente elas sugam o caldo nutritivo pré-digerido para uma cavidade pré-bucal, de onde suas faringes musculares bombeiam o alimento para o esôfago e estômago, que costuma ser longo e ocupar grande parte da cavidade corporal. É no estômago que os nutrientes são absorvidos, sendo que o intestino curto apenas carreia os resíduos finais da digestão para o ânus.

Visão e sentidos

Aranha-saltadora. Foto: ROverhate / Pixabay

Embora os olhos das aranhas não sejam capazes de formar imagens com foco, este sentido é bem desenvolvido na maior parte das espécies. Existem mais de 25 diferentes formas de agrupamentos oculares registrados em aranhas, sempre contando com 6 ou 8 olhos medianos e laterais dotados de córnea, retina e corpo vítreo transparente, que se conectam através de células nervosas que formam um gânglio cerebral na parte anterior do cefalotórax. As aranhas detectam muito bem luz e sombra, o que lhes permite posicionar possíveis atacantes e presas com precisão. Adicionalmente, elas possuem órgãos de tato na forma de pelos que lhes recobrem o corpo e cavidades nas pernas com filamentos que detectam movimento e até mesmo correntes de ar.

Reprodução

Em relação a reprodução, as aranhas são dioicas e grande partes delas apresenta dimorfismo sexual (diferenças físicas que identificam machos e fêmeas). As gônadas ficam no abdômen e se conectam com o ambiente por aberturas genitais na porção ventral do corpo. Os machos normalmente fecundam a fêmea inserindo um espermatóforo nelas usando seus pedipalpos. Diversas espécies apresentam um complexo ritual de corte para que a fêmea permita a aproximação do macho de forma segura. Depois de fecundada, a fêmea libera um saco de ovos que ela pode abandonar, aderir a sua teia ou carrear preso na glândula sericígena, que libera teia e fica próxima ao ânus. Depois de um curto período embrionário, os indivíduos adultos saem dos ovos com aparência similar aos adultos, passando por diversos estágios de muda nos quais aumentam de tamanho até atingir maturidade sexual.

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Referências:

Ruppert, E.E. and Barnes, R.D., 1994. Invertebrate zoology (Vol. 6). New York: Saunders College Publishing.

Herberstein, M.E. and Wignall, A., 2011. Introduction: spider biology. In Spider behaviour: flexibility and versatility (pp. 1-30). Cambridge University Press.

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