Anarquia

Por Antonio Gasparetto Junior
Anarquia é um conceito político que prega a eliminação de qualquer forma de governo compulsório.

A origem do anarquismo é considerada por alguns como algo bem antigo, o que é justificado através de diversos textos de autores de um passado distante. Porém, sem dúvida, o anarquismo em sua forma moderna é bem datado, fruto do Iluminismo e especialmente das ideias do filósofo Jean Jacques Rousseau em torna da centralidade moral da liberdade. Outros intelectuais vieram depois formulando concepções políticas e econômicas do anarquismo até chegar a ideia de ausência total de um Estado e formação de sociedades voluntárias. O primeiro a efetivamente se declarar anarquista foi o filósofo francês Pierre Joseph Proudhon, considerado por algumas pessoas como fundador da teoria moderna do anarquismo.

A ideologia da Anarquia ganhou vários seguidores e desempenhou um importante papel entre as sociedades do século XX, momento em que repercutiu com maior força. O anarquismo esteve presente os seguidores da Revolução Russa de 1917 e nos movimentos civis da Espanha, por exemplo. A ideologia conquistou muitos trabalhadores europeus, que trouxeram as ideias quando migraram para o Brasil nas décadas finais do século XIX e nas décadas iniciais do século XX. Em território brasileiro, os imigrantes, sobretudo italianos, ajudaram a difundir os preceitos do anarquismo entre os trabalhadores e a ideologia anarquista foi fundamental para a eclosão das primeiras greves brasileiras ocorridas na década de 1910. Até a Segunda Guerra Mundial, o anarquismo permaneceu muito forte entre os movimentos operários, mas depois perdeu a característica de movimento de massa. Ainda assim, continuou influenciando revoltas populares como o Maio de 68, na França, o anti-Poll Tax, no Reino Unido, e os protestos nas reuniões da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Anarquia, ao contrário do que imagina a cultura popular, nada tem a ver com a ausência de ordem. Mas sim com a ausência de coerção. Ou seja, anarquistas são basicamente contra qualquer ordem hierárquica que não seja livremente aceita. A noção equivocada do movimento foi promovida pela oposição politica e movimentos religiosos ao longo do século XX. Da mesma forma, ataca-se erroneamente o anarquismo acusando-o de ser um movimento sem solidariedade, enquanto, na verdade, o anarquismo tem como preceito básico o auxílio mútuo entre os homens.

O anarquismo, para bem saber, passa por preceitos que são fundamentais. O anarquismo é a emergência de um sentimento puro que permite a cada um desenvolver seu próprio instrumento intelectual, ou seja, é um princípio de não-doutrinação. Talvez o mais conhecido dos conceitos anarquistas seja o da revolução social, que consiste na quebra do Estado e de suas estruturas. É dele que vem a perspectiva do humanismo, defendendo que os grupos humanos seriam capazes de se organizarem de forma autônoma e não hierárquica. O que se liga ao conceito de antiautoritarismo. Todo esse panorama permitiria a liberdade necessária para qualquer pensamento, formulação ou ação anarquista. Rejeitam também a intermediação de políticos na resolução de problemas sociais, defendendo a ação direta e o apoio mútuo. Essas medidas devem ser difundidas, consistindo no conceito de internacionalismo. Os anarquistas compreendem as revoltas como importante substrato humano para o desenvolvimento social. Após a introdução desses conceitos, uma sociedade anarquista deveria ser baseada em uma educação avançada como base de coexistência harmônica. Como negam a hierarquia e as estruturas organizacionais, a sociedade anarquista deveria ser baseada na flexibilidade e na naturalidade das organizações. Essa sociedade seria organizada através de um federalismo libertário, que subdividiria a sociedade de modo que pudesse potencializar as interações humanas e sociais. E, claro, todos os indivíduos teriam responsabilidades individuais e coletivas.

Ainda assim, como acontece nas ideologias humanas, o anarquismo também não é único, é formado por várias vertentes interpretativas. Uma delas é a do mutualismo, que propõe uma ordem espontânea sem uma autoridade central e em um modelo de sociedade que se preocupa com a reciprocidade. A vertente individualista do anarquismo enfatiza a vontade do indivíduo sobre quaisquer tipos de determinantes externos. Já a vertente social do anarquismo defende um sistema de propriedade público dos meios de produção e também o controle democrático das instituições. Representa a maior escola de pensamento anarquista. Há ainda as numerosas correntes pós-clássica, como o anarcofeminismo, que une o feminismo radical e o anarquismo, e o anarquismo pós-esquerdismo, que procura se afastar da esquerda política tradicional.

Fonte:
http://spartacus_2.br.tripod.com/anomalia/id6.html