O que mudou no Novo Acordo Ortográfico

Por Paula Perin dos Santos

Novo Acordo Ortográfico Descomplicado (Parte IV)

Trema

Não se usa mais o trema, salvo em nomes próprios e seus derivados.

Acento diferencial

Não é preciso usar o acento diferencial para distinguir:

  1. Para (verbo) de para (preposição)

“Esse carro velho para em toda esquina”.

“Estarei voltando para casa daqui a uma hora”.

  1. Pela, pelo (verbo pelar) de pela, pelo (preposição + artigo) e pelo (substantivo)
  2. Polo (substantivo) de polo (combinação antiga e popular de por e lo).
  3. pera (fruta) de pera (preposição arcaica).

A pronúncia ou categoria gramatical dessas palavras dar-se-á mediante o contexto.

Acento agudo

Ditongos abertos “ei”, “oi”

Não se usa mais acento nos ditongos ABERTOS “ei”, “oi” quando estiverem na penúltima sílaba.

He-roi-co                               ji-boi-a

As-sem-blei-a                       i-dei-a

Pa-ra-noi-co                          joi-a

OBS. Só vamos acentuar essas letras quando vierem na última sílaba e se o som delas estiverem aberto.

Céu                                         véu

Dói                                          herói

Chapéu                                  beleléu

Rei, dei, comeu, foi (som fechado – sem acento)

Não se recebem mais acento agudo as vogais tônicas “I” e “U” quando forem paroxítonas (penúltima sílaba forte) e precedidas de ditongo.

feiura                                     baiuca

cheiinho                                 saiinha

boiuno

Não devemos mais acentuar o “U” tônico os verbos dos grupos “GUE/GUI” e “QUE/QUI”. Por isso, esses verbos serão grafados da seguinte maneira:

Averiguo (leia-se a-ve-ri-gu-o, pois o “U” tem som forte)

Arguo                                     apazigue

Enxague                                arguem

Delinguo

Acento Circunflexo

Não se acentuam mais as vogais dobradas “EE” e “OO”.

Creem                                              veem

Deem                                                        releem

Leem                                                         descreem

Voo                                                  perdoo

enjoo

Outras dicas

Há muito tempo a palavra “coco” – fruto do coqueiro – deixou de ser acentuada. Entretanto, muitos alunos insistem em colocar o acento: “Quero beber água de côco”.

Quem recebe acento é “cocô” – palavra popularmente usada para se referir a excremento.

Então, a menos se que queira beber água de fezes, é melhor parar de colocar acento em coco.

Para verificar praticamente a necessidade de acentuação gráfica, utilize o critério das oposições:

Imagem      armazém

Paroxítonas terminadas em “M” não levam acento, mas as oxítonas SIM.

Jovens        provéns

Paroxítonas terminadas em “ENS” não levam acento, mas as oxítonas levam.

Útil              sutil

Paroxítonas terminadas em “L” têm acento, mas as oxítonas não levam porque o “L”, o “R” e o “Z” deixam a sílaba em que se encontram naturalmente forte, não é preciso um acento para reforçar isso.

É por isso que: as palavras “rapaz, coração, Nobel, capataz, pastel, bombom; verbos no infinitivo (terminam em –ar, -er, -ir) doar, prover, consumir são oxítonas e não precisam de acento. Quando terminarem do mesmo jeito e forem paroxítonas, então vão precisar de acento.

Veja também os outros artigos da série "Novo Acordo Ortográfico Descomplicado":

Bibliografia:
MEDEIROS, João Bosco. Português Instrumental. 8 ed. São Paulo, Atlas, 2009, p. 15, 22-3.