Clorofluorcarboneto (CFC)

Por Caroline Faria
O clorofluorcarboneto, também conhecido como CFC ou cloro-fluor-carbono, é um composto sintético, gasoso e atóxico que pode ser utilizado como solvente, propelente (gás usado em sprays), expansor de plásticos, e como refrigerante em freezers, aparelhos de ar condicionado e geladeiras.

O CFC é tido como o principal causador do buraco na camada de ozônio e desde a descoberta de sua toxicidade na atmosfera (onde pode permanecer por até 75 anos antes de ser destruído), são feitas tentativas de banir o uso do produto.

Estima-se que o CFC seja 15.000 vezes mais nocivo a camada de ozônio do que o dióxido de carbono (CO2). (CENAMO, 2004). Isso porque ao ser liberado na atmosfera o CFC se concentra na estratosfera (onde fica a camada de ozônio) e sofre uma reação chamada fotólise: quando submetido à radiação ultravioleta proveniente do sol o CFC se decompõe liberando o radical livre cloro (Cl) que reage com o ozônio decompondo-o em oxigênio gasoso (O2) e monóxido de cloro (ClO).

O CFC se decompõe liberando o radical livre cloro (Cl):

O cloro então reage com o ozônio formando oxigênio gasoso e monóxido de cloro:

Cl + O3 -> O2< + ClO

O monóxido de cloro reage novamente com o ozônio liberando mais duas moléculas de oxigênio gasoso e uma de cloro que reagirá novamente com o ozônio em um ciclo que se repete até que o cloro finalmente se una a uma substância mais densa que o leve para camadas mais baixas da atmosfera impedindo-o de reagir, ou então, com alguma substância com a qual forme uma ligação forte o suficiente para resistir a fotólise.

ClO + O3 -> 2O2 + Cl

O CFC começou a ser produzido em 1928 como alternativa promissora na substituição de outros gases refrigerantes. Parecia que a General Motors, criadora do produto, tinha descoberto uma mina de ouro: os CFC`s eram fáceis de estocar, de produção barata, estáveis e ainda, bastante versáteis. Sua aplicação se estendia desde a refrigeração, até o uso como solvente.

Em 1974, entretanto, os químicos norte-americanos Sherwood Roland e Mario Molina descobriram que o CFC, embora completamente inofensivo para nós, fazia estragos enormes na camada de ozônio. Assim, em 1978, o CFC, que depois passou a ser conhecido também como “Freon” marca criada pela Dupont, começou a ser relacionado com a destruição da camada de ozônio.

Entretanto, as opiniões estavam ainda bastante divididas e o consumo dos CFC`s no mundo somente crescia até que, em 1987, 150 cientistas de quatro países foram em uma expedição até a Antártida e confirmaram que a concentração de monóxido de cloro sobre a região era cem vezes maior que em qualquer outro lugar do planeta.

Nesse ínterim foi realizada, em 1985, a “Convenção de Viena para a Proteção da Camada de Ozônio” que, junto com as descobertas dos pesquisadores na Antártida, culminou com a assinatura, em 16 de setembro de 1987, do Protocolo de Montreal onde ficou acordado o banimento gradativo do CFC e sua substituição por outros gases que não agredissem a camada de ozônio. O Brasil aderiu ao Protocolo de Montreal em 1990 com a meta de banir o CFC até 2010.

Devido à assinatura do Protocolo de Montreal, o dia 16 de setembro é considerado o Dia Mundial de Proteção à Camada de Ozônio.

Hoje em dia sabe-se que existem outros produtos químicos que também agridem a camada de ozônio como o metil clorofórmio e o brometo de metila. Até mesmo alguns dos substitutos do CFC são considerados prejudiciais a camada de ozônio porém em escala bem menor.

Alguns tipos de CFC e seus substitutos (CETESB):

CFC --> Substituto

CFC-11 (triclorofluormetano) --> HCGC-123
CFC-12 (Diclorodifluormetano) --> HCFC-134a; R-401A; R-401B; R-409A.
R-13/R-503 --> R-508B
CFC-114 --> HCFC-123; HCFC-124.
R-502 --> R-402A; R-408A; R-404A; R-507C; HCFC-22.

Outros tipos de substâncias que destroem a camada de ozônio (Decreto Estadual N. 41.629 de 10/03/97, São Paulo):

CFC-11 (triclorofluormetano)
CFC-12 (Diclorodifluormetano)
CFC-113 (1.1.2-Tricloro-1.2.2-trifluoretano)
CFC-114 (1.2-Diclorotetrafluoretano)
CFC-115 (Cloropentafluoretano)
Halon 1211 (Bromoclorodifluormetano)
Halon 1301 (Bromotrifluormetano)
Halon 2402 (Dibromotetrafluoretano)
CFC-13 (Clorotrifluormetano)
CFC-111 (Pentaclorofluoretano)
CFC-112 (Tetraclorodifluoretano)
CFC-211 (Heptaclorofluorpropano)
CFC-212 (Hexaclorodifluorpropano)
CFC-213 (Pentaclorotrifluorpropano)
CFC-214 (Tetraclorotetrafluorpropano)
CFC-215 (Tricloropentafluorpropano)
CFC-216 (Diclorohexafluorpropano)
CFC-217 (Cloroheptafluorpropano)
CCl 4 (Tetracloreto de carbono)

Fontes
CENAMO. C. C., et al. Glossário Internacional de Termos em Mudanças Climáticas, Protocolo de Quioto e Mercado de Carbono. Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada – CEPEA – ESALQ/USP. Piracicaba, SP, 2004. 55p.

Ozônio: A Proteção que Envolve a Terra. Secretaria de Estado do Meio Ambiente - São Paulo: CETESB, 1998. 25 p.

Refrigeração, seu negócio, e a eliminação dos CFCs. Secretaria de Estado do Meio Ambiente - São Paulo: CETESB. 4 p.

Sites:
http://www.crea-sc.org.br/divulgacao/artigo_tecnico/artigo_10.php
http://www.ambientebrasil.com.br/composer.php3?base=./gestao/index.html& conteudo=./gestao/artigos/camada_ozonio.html
http://super.abril.com.br/superarquivo/1988/conteudo_111126.shtml
http://br.geocities.com/uel_climatologia/seminariocamadadeozonio.htm