Gás Natural Veicular (GNV)

Por Luiz Molina Luz
História do gás natural

Com a crise do petróleo, que abalou a economia a partir de 1973 – quando os preços do óleo bruto praticamente decuplicaram no mercado externo – despertou, na maioria dos países que não dispõem de grandes reservas, a consciência da urgência necessidade de empreender a pesquisa e a utilização de fontes alternativas de energia que pudessem substituir o petróleo na produção de derivados.

Com importações da ordem de 80% do seu consumo global, o Brasil acompanhou o movimento mundial em direção a essas fontes opcionais, buscando reduzir a dependência do produto estrangeiro.

Como órgão executor de parte considerável da política energética brasileira, a companhia brasileira de petróleo (Petrobrás), em particular, tem dirigido nos últimos anos grande esforço no sentido de viabilizar projetos de aproveitamento de outras fontes energéticas, de modo a complementar a nossa produção interna de petróleo. Destacando-se a extração do gás natural.

Depois do petróleo e do carvão, o gás natural é a mais importante fonte de energia do mundo industrializado. Atualmente, boa parte da produção e do comércio de gás natural está sob o controle dos países industrializados.

Assim como o petróleo, o gás natural resulta da transformação, em milhões de anos, de matéria orgânica (restos de animais e plantas) aprisionados no subsolo. Sua jazida consiste muitas vezes de rochas calcárias, areníticos ou outras rochas porosas, são constituídas por compostos químicos de hidrogênios e carbono (chamados hidrocarbonetos), sobretudo pelo metano, o mais simples desses compostos. Contém também o etano, o propano e o butano, além de dióxido de carbono, hélio e nitrogênio.

Produção e reservas nacionais

As reservas de gás natural no Brasil somam 14,6 bilhões de metros cúbicos, quantidades suficiente para abastecer o país por quinze anos, considerando-se a produção atual de 23 milhões de metros cúbicos por dia.

A produção de gás natural está distribuída de norte a sul do país, mas é no sudeste (Bacia de Campos e de Santos) que se concentram 10,6 milhões de m3/dia de produção (metade do total), segundo dados da Petrobrás.
“Queremos estimular o uso do gás natural porque temos boas reservas e para não ficarmos tão dependentes do petróleo”.

Gás polivalente

O gás natural é um combustível polivalente de propriedades muito interessantes. Ao longo processo de produção, transporte e estocagem, é o combustível que menos polui o ambiente.

Na fase de produção, os poços não ferem a paisagem, e as instalações de tratamento são de pequeno porte. Mesmo em caso de vazamento em áreas de produção submarina, o gás seco não polui o mar.

A obtenção do gás natural é mais fácil e mais rápida do que o diesel e a gasolina, sem necessidade de passar por qualquer refino, ao contrário do diesel e da gasolina, obtidos da destilação do petróleo.

Seu transporte, seja por gasoduto ou metaneiro, é discreto limpo e seguro, os gasodutos são subterrâneos, não interferindo na paisagem ou nas culturas.

Os terminais de recepção de gás liquefeito, geralmente localizados em zonas portuárias ou industriais, longe das populações, não geram fumaça, barulho, ou tráfego rodoviário.

O gás natural oferece uma resposta às preocupações do mundo moderno relativos a proteção da natureza e à melhora da qualidade de vida nos centros urbanos.

Com essa qualidade o gás natural está cada vez mais se impondo como uma resposta técnica e econômica interessante aos problemas de poluição, as aplicações para esse fim são bastante diversificadas e abrangem basicamente as seguintes formas:

Substituição de combustíveis poluentes (óleos pesados, carvão e outros) em instalações industriais, para aquecer caldeira e alimentar usinas termoelétricas, ou de geração elétrica em instalações domésticas existentes;

Sua combustão é completa e os gases de exaustão de tal forma limpa que podem ser usados diretamente na fabricação do leite em pó, na cultura de hortigranjeiros em estufa, ou na secagem de cereais;

Na incineração de solventes provenientes da aplicação e secagem das tintas nas indústrias automobilísticas, de móveis, gráficas e outras. A reação é completa e os produtos da combustão se resumem a água, CO2 e energia. O calor recuperado é geralmente usado para produzir vapor ou aquecer locais de trabalho. Essa aplicação recente permite economia de 20% a 30% de energia;

Como combustível automotivo em carros, caminhões e ônibus.