Teoria de Coordenação de Werner

Por André Luis Silva da Silva
Pode-se atualmente dizer que a Química está dividida em cinco grandes áreas, que são a Química Orgânica, a Química Analítica, a Físico-Química, a Bioquímica e a Química Inorgânica. No entanto, essa classificação é apenas didática, pois não podem existir barreiras entre uma área e outra, mas todas devem complementar-se na investigação dos fenômenos e das leis naturais, estes sempre muito mais complexos do que nossa ciência.

Destacando-se nesse texto a Química Inorgânica, nota-se que um vigoroso trabalho experimental impulsionado por novos métodos de investigação promoveram uma evolução considerável no desenvolvimento desta ciência. Dessa forma, um número expressivo de áreas de pesquisas afins, como ciência de materiais, a catálise, a bioinorgânica, a química médica, a síntese de polímeros, e uma área relativamente nova, a Química de Coordenação, aos poucos se desenvolveram concomitantemente.

Nesse aspecto, a teoria de coordenação de Werner, surgida ao final do século passado, teve um grande sucesso ao explicar e prever um grande número de fenômenos químicos, originando assim uma nova vertente da Química Inorgânica. Dada atualmente a elevada diversidade e a grande contribuição dos compostos de coordenação para a compreensão da ligação química, muitos cientistas se dedicaram à elaboração de teorias capazes de explicar a formação compostos, responsáveis por suas propriedades.

Nos compostos de coordenação estudados por Werner, centros metálicos estão circunvizinhados por grupos, chamados de ligantes. Os tipos de grupos que podem circunvizinhar um átomo metálico ou um cátion são de natureza variável, podendo ser ânions ou moléculas neutras. O ramo da Química Inorgânica que investiga o comportamento dessas espécies é a Química de Coordenação.

Os compostos de coordenação estão presentes na maioria dos processos químicos que envolvem espécies inorgânicas em temperaturas brandas ou não muito elevadas. Desta forma, em fenômenos vitais como a respiração e fotossíntese, assim como em inúmeros processos industriais importantes, no cotidiano, e num número incalculável de experimentos de laboratórios, estão envolvidos processos ou produtos relacionados com a Química de Coordenação.

Um centro metálico, em um composto de coordenação, pode ligar-se quimicamente a ligantes carregados negativamente ou neutros, o que servirá como indicativo de seu estado de oxidação, conforme é mostrado nos exemplos abaixo:

  • [Pt(H2O)2]Br2: o íon platina apresenta NOX de +2, pois liga-se quimicamente a dois ligantes aquosos, de natureza neutra, e está contrabalanceado por dois átomos de bromo.
  • [Zn(NH3)4]Cl2: o íon zinco apresenta NOX de +2, pois, assim como no caso anterior, liga-se a ligantes neutros.
  • K[Cu(CN)4(H2O)2]: o íon cobre apresenta NOX +3, pois liga-se quimicamente a grupos cianetos, carregados negativamente (-1), e está associada a um cátion, no caso o potássio, de NOX igual a +1.

Referências:
RUSSELL, John B.; Química Geral vol.1, São Paulo: Pearson Education do Brasil, Makron Books, 1994.
ATKINS, Peter; JONES, Loreta; Princípios de Química: questionando a vida moderna e o meio ambiente, Porto Alegre: Bookman, 2001.