Enredo

Por Ana Paula de Araújo
O conceito de enredo, dentro de um texto narrativo, é o conteúdo do qual esse texto se constrói. O enredo, também chamado de trama, tem sempre um núcleo, que chamamos de conflito. É esse conflito que determina o nível de tensão (expectativa) aplicado na narrativa. É no enredo que se desenrolam os acontecimentos que formam o texto (tecido).

Além disso o enredo está diretamente ligado às personagens, já que é a respeito delas a história que se conta. Um depende do outro, como explica Antônio Cândido:

"O enredo existe através dos personagens; as personagens vivem do enredo. Enredo e personagem exprimem, ligados, os intuitos do romance, a visão da vida que decorre dele, os significados e valores que o animam."
[CANDIDO, Antonio. A personagem de ficção. São Paulo: Perspectiva, 1987. p. 534).

O enredo não é composto apenas do gênero narrativo, o que ocorre é uma predominância deste, mas dentro dele os autores costumam incluir trechos descritivos e dissertativos. No caso de pequenas narrações feitas em escolas ou concursos, isso não ocorre com freqüência devido à pequena extensão do texto.

Sendo a narrativa um conflito, temos alguns tipos de estrutura normalmente adotados pelos autores para a organização e melhor compreensão do texto.

  • A mais conhecida e utilizada delas é aquela em que se inicia pela exposição da situação, citando personagens, tempo e espaço. Em seu desenvolvimento são narrados os fatos, iniciando-se pela complicação e finalizando com o clímax da história. Finalmente ao chegar na conclusão é apresentado o desfecho ou desenlace. Essa é a mais convencional e mais simples, de maneira que é muito utilizada em textos de curta extensão.
  • Outra possibilidade de se iniciar a narração é pelo desfecho. Esse tipo de estrutura é mais utilizada em textos jornalísticos, onde o objetivo é a informação rápida e precisa. Começa-se então pelo desfecho, dando a oportunidade ao leitor de continuar ou não a leitura, dependendo do seu interesse.
  • Pode-se construir também a narração somente através de diálogos, dando voz às personagens e muitas vezes até dispensando a figura do narrador.
  • Dependendo do objetivo do texto pode-se até fugir à ordem lógica do texto, porém no caso das redações pedidas em concursos não é adequado utilizar essa opção, pois pode comprometer o bom desempenho do texto.

Outra coisa que pode variar são os conflitos. Sabe-se que sempre há um ou mais personagens que compõem o núcleo da narrativa, e ao redor dos quais o enredo se desenrola. O fato é que esse conflito central pode ser da personagem consigo mesma, com o mundo ou com outras personagens da história. Podem até haver mais conflitos e mais núcleos dentro de uma mesma narração, como ocorrem frequentemente em novelas e romances.

Em resumo, o enredo é o esqueleto da narrativa, a sua base. Se não há enredo não há narrativa, não há personagens, não há tempo e nem espaço. É com base nele, portanto, que os demais itens que compõem a estrutura da narrativa vão se formando e se relacionando para a construção de um texto coerente e lógico.

Não se pode esquecer que todo bom enredo deve conter início, meio e fim.