Narrador-observador

O narrador-observador é o mais comumente encontrado na literatura. Ele se comunica com o leitor na terceira pessoa e não tem qualquer participação na trama que se desenrola. Assim sendo, retrata os eventos observados por ele com uma boa dose de objetividade e, por vê-los do exterior, narra sem recorrer à parcialidade. Além disso, desconhece a intimidade dos personagens e dos atos praticados por eles.

A ferramenta da terceira pessoa permite ao autor uma elasticidade maior da história e por esta razão é a mais utilizada pelos que escrevem. A função deste narrador é estudar atentamente tudo que se passa e, depois, expor ao leitor a sucessão de eventos que caracteriza a história.

O narrador pode ter uma compreensão mais profunda dos personagens, ou não. No primeiro caso ele é subjetivo e onisciente, ou seja, tem o domínio e o poder sobre os mecanismos temporais, espaciais e sobre os acontecimentos; como se isso não bastasse, pode circular pelo interior da mente e do coração dos personagens. Na segunda opção ele é objetivo e restrito, apresentando somente o que pode ver e analisar, exatamente como quem capta imagens em uma câmera, extraídas do cenário ou de qualquer ponto que não esteja inserido na psique dos personagens.

Pode haver igualmente um narrador intermediário, entre um ponto e outro. Ele pode, por exemplo, conhecer todos os detalhes sobre o protagonista, ou seja, o personagem principal da história, englobando suas aspirações, temores, aflições, porém seu saber se restringe somente a esta figura. Outra probabilidade, ainda, é a produção de um narrador que busca preservar certa distância dos eventos, porém interfere no enredo com apontamentos e juízos sobre os personagens.

O narrador observador é também conhecido como narrador-câmera ou narrador-testemunha. Ele se restringe a narrar um enredo sem mergulhar na mente ou na alma das criaturas fictícias. Assim, jamais terá uma familiaridade maior com elas nem com seus atos.

Ele testemunha os fatos, porém, diferentemente do narrador onisciente, sua visão não abrange o todo, mas somente um ponto de vista. O mesmo age como um observador dos acontecimentos que narra, porém não integra nenhum destes eventos. Este foco narrativo só apresenta uma postura, a de retratar os eventos que vê através de seu olhar. Está no âmbito externo do modo de agir dos personagens, não os conhece, não detém informações sobre sua existência, suas ideias, emoções e comportamentos. E quase sempre reproduzirá o que vê na terceira pessoa.

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Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Narrador
http://ficcao.emtopicos.com/estrutura/modos-de-narracao/

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