José Saramago

José de Sousa Saramago nasceu numa família de camponeses em Azinhaga, ao sul de Portugal, em 1922. A trajetória literária de José Saramago é bastante interessante pelos diferentes gêneros que desenvolve: da poesia ao teatro, do jornalismo à ficção.

Sua atividade como escritor iniciou-se em 1947, com o livro ‘Terra do Pecado’, Em 1966, lança ‘Os Poemas Possíveis’. Atuando como crítico literário e jornalista, passa a escrever no Diário de Notícias e a partir de 1975, passa a viver de literatura, primeiro como tradutor, em seguida, como autor.

Saramago foi criador de um dos universos literários mais sólidos do século XX, uniu a atividade de escritor com a de homem crítico da sociedade, denunciando injustiças e se pronunciando sobre conflitos políticos de sua época, tendo sido membro do Partido Socialista Português.

Entre seus livros mais importantes estão ‘O Evangelho segundo Jesus Cristo’, ‘Ensaio sobre a cegueira’, ‘A jangada de pedra’, ‘A viagem do elefante’. Saramago conquistou em 1995 o Prêmio Camões e em 1998, o Prêmio Nobel de Literatura.

Sua obra ‘Evangelho segundo Jesus Cristo’ foi considerada ofensiva para os católicos e censurada, em 1992, pelo governo português por se referir ao nascimento de Jesus como algo comum “sujo de sangue de sua mãe, viscoso das suas mucosidades e sofrendo em silêncio...".

Casado com a jornalista espanhola Pilar del Rio, disse aos 87... “se eu tivesse morrido antes de eu conhecer a Pilar, eu tinha morrido muito mais velho do que aquilo que sou".

Sua felicidade era notória e talvez resultasse de saber-se finito, referindo-se com frequência a ideia da morte, inclusive tendo dito à beira de um penhasco “se caio e aqui me mato acabou-se, não farei mais livros”. Assim insistia Saramago na necessidade de ter tempo e vida! Ter prêmio, novela, filme, glória, fama não lhe trazia a plena realização. Despido de vaidades dizia que até mesmo ser vencedor do Prêmio Nobel era pouco e insignificante em relação ao Universo.

Seu livro Ensaio sobre a cegueira foi adaptado para o cinema em 2008, pelo brasileiro Fernando Meirelles e revela sobre "a responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam", utilizando-se de metáfora em relação à cegueira. Leva à reflexão da necessidade de parar, fechar os olhos e ver a realidade com lucidez, diante da pressão dos tempos e do que se perdeu, realçando a insensibilidade e a indiferença, mostrando uma degradação humana sem limites. Na obra se destacam tanto os valores sociais que o autor quer condenar como a crueldade, o egoísmo, o consumismo e a competição, quanto os valores que pretende que prevaleçam como o respeito ao outro, a dignidade, a coragem, a solidariedade, e a convivência.

Aos 84 anos dizia que a morte não lhe assustava porém a ideia da impermanência sim, pois queria continuar seu trabalho, conviver mais com sua mulher e frutificar a sua felicidade. Com essa percepção, repetia que sua avó não tinha pena de morrer, mas de não estar no futuro, neste mundo que ela achava bonito e sobre isso ela assim se expressava: - o mundo é tão bonito e eu tenho tanta pena de morrer!

Tornou-se imortal dentro de cada um de nós, com seu pensamento certeiro, suas obras maravilhosas, seu jeito tranquilo de ver a vida. Faleceu em 18 de junho de 2010, deixando uma filha e dois netos do primeiro casamento. Um ano após inaugura-se em Portugal a Fundação Saramago, junto a uma árvore centenária trazida da Azinhaga, de um banco de jardim e de uma placa com uma frase retirada de sua obra ‘Memorial do Convento’: “Mas não subiu para as estrelas, se à terra pertencia”.

Bibliografia:

SILVA, Teresa Cristina Cerdeira da (1989). José Saramago – Entre a história e a ficção: uma saga de portugueses. Lisboa, Publicações Dom Quixote, 278 p.

SARAMAGO, José. Ensaio sobre a cegueira (1996). São Paulo: Cia. das Letras, 310 p. (EC)

http://www.ufjf.br/revistaipotesi/files/2012/03/19-jos%C3%A9-saramago-fic%C3%A7%C3%A3o-inovadora-e-criativa.pdf

José Saramago no Jornal da Globo. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=KukaoWu00Uw 
PRAXEDES. Walter. Ensaio sobre a cegueira: a cegueira como metáfora no livro de José Saramago. Revista espaço Acadêmico. Nº 88. Setembro de 2008. Disponível em http://www.espacoacademico.com.br/088/88praxedes.htm

Veja lista de obras publicadas do escritor português José Saramago. Disponível em http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2010/06/veja-lista-de-romances-publicados-do-escritor-jose-saramago.html

MAIA, Maria Carolina. Conheça a vida e a obra do escritor José Saramago. Disponível em http://veja.abril.com.br/noticia/entretenimento/saramago-premio-nobel-literatura-morre-aos-87-anos

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