Crítica literária

Mestra em Literatura e Crítica Literária (PUC-SP, 2012)
Graduada em Letras (PUC-SP, 2008)

Publicado em 12/03/2019

O termo crítica deriva do verbo grego Krinéin que remete à ação de julgar algo, ou seja, criticar. Em literatura, a crítica literária é análise avaliativa das produções artísticas. A partir do estudo das características de cada texto, o crítico literário é o responsável por apontar os acertos e as falhas de determinada produção em termos estéticos, linguísticos e retóricos.

Intimamente ligada ao percurso da História, a crítica apresenta três momentos fundamentais para a sua compreensão. Na primeira fase, durante a Antiguidade clássica, há o que se pode chamar de gênese da atividade de crítica literária que nasce irmanada à atividade filosófica do período. A partir das análises feitas pelos principais pensadores da época, com destaque para Platão e Aristóteles.

O segundo momento, compreendido no longo período entre a Idade Média e a Modernidade, a crítica literária praticamente fica a cargo da escolástica, isto é, os padres e demais religiosos da igreja Católica detém o maior controle das análises críticas do período dividindo a função, posteriormente, com os difusores da Reforma protestante.

Durante a terceira fase, com o avanço dos procedimentos filosóficos que culminam na Modernidade, a crítica literária passa a integrar o campo da investigação científica e, portanto, torna-se um conceito. Se literatura e filosofia progridem praticamente ao mesmo tempo, os procedimentos críticos do filósofo Immanuel Kant em obras como Crítica da razão pura e Crítica da faculdade de julgar são primordiais para se pensar a atividade do crítico literário a partir daí.

Como as análises englobam fatores subjetivos, a crítica especializada passou a adotar as denominadas correntes literárias. Na falta de unanimidade sobre o conceito de crítica literária, as correntes passam a identificar o estilo avaliativo dos críticos.

Uma das correntes se apropria da atividade do artista, o que interessa ao crítico é a metalinguagem, ou seja, entender o processo de escritura dos autores. A outra corrente se debruça sobre a materialidade da obra e isso significa uma análise que averígua os pormenores da linguagem, das palavras usadas e da estruturação como um todo. Para analisar o caráter histórico, existe uma corrente específica que considera que o contexto é primordial no processo de interpretação e análise.

É interessante destacar que muitos autores exercem, concomitantemente, a tarefa de críticos literários. Os casos são incontáveis, sendo alguns deles: José de Alencar, Machado de Assis e Manuel Bandeira. Guimarães Rosa, em entrevista aponta o que para ele é a crítica literária: o verdadeiro crítico trabalha em conjunto com o autor, estando disposto a completar a obra e a divulgá-la.

Na crítica brasileira, são nomes recorrentes em estudos literários: Afrânio Coutinho, Antônio Cândido, Flora Süssekind, Massaud Moisés, Olga Savary, Sílvio Romero, Walnice Nogueira Galvão, entre tantos outros.

Na crítica internacional, há uma infinitude nomes importantes: Ítalo Calvino, Giorgio Agamben, James Joyce, Paul Zumthor, Paul Valéry, Roland Barthes, Umberto Eco, Viktor Chklovsky, Walter Benjamin.

Grande parte desses críticos renomados se destaca justamente porque analisa a obra literária não como objeto, mas como sujeito. E, sendo um sujeito, a produção literária não se encaixa em teorias, mas sim teorias surgem a partir da leitura delas.

A crítica literária passou, e ainda passa, por inúmeras mudanças e divergências metodológicas, mas a sua importância para divulgação e aprofundamento dos estudos literários, é inegável.

Afinal, atribuir conceitos, estipular segmentos, classificar cada produção e ordenar as obras literárias distribuídas em periodização ou estilos, mesmo as obras que antecedem à própria atividade crítica, é uma grande contribuição para o enriquecimento intelectual da humanidade.

Referência:

JUNQUEIRA, Leandro Gama. Origem e permanência da crítica. Revista Arte & Ensaios. UFRJ, Rio de Janeiro, n.20, p.124-139, 2010. Disponível em: <https://www.ppgav.eba.ufrj.br/wpcontent/uploads/2012/01/ae21_Leandro_Junqueira.pdf>. Acesso em: 28 fev. 2019.

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