Helicobacter pylori

Por Débora Carvalho Meldau
A Helicobacter pylori é uma espécie de bactéria que ataca exclusivamente a mucosa gástrica dos humanos, sendo que algumas outras espécies de Helicobacter podem infectar outras espécies de animais. Grande parte das úlceras pépticas, certos tipos de gastrite e de cancro do estômago são causados por esse microrganismo, embora a maior parte dos indivíduos infectados nunca chegam a apresentar qualquer sintoma relacionado com a H. pylori. Essas bactérias são os únicos organismos conhecidamente capazes de suportar esse ambiente ácido.

No ano de 1875, pesquisadores alemães descobriram bactérias espirais na mucosa do estômago. Como esses microrganismos não crescerem in vitro, os achados foram esquecidos. Em 1892 um pesquisador italiano relatou a presença de bactérias no estômago de cães. Posteriormente, em 1899, um professor da Universidade de Jaguelônica, na Cracóvia, encontrou uma bactéria quando realizava uma investigação em sedimentos de lavagem gástrica, batizando-a de Vibrio rugula. Este foi o primeiro pesquisador a sugerir o provável papel dessa bactéria na patogênese de enfermidades gástricas.

Já em 1979, a bactéria voltou a ser estudada por um pesquisador autraliano Robin Warren, retornando suas pesquisas em 1981, juntamente com Barry Marshall. Estes pesquisadores isolaram a H. pylori da mucosa gástrica de humanos, obtendo sucesso em seu cultivo in vitro. Contudo, foi apenas em 1989 que esse microrganismo foi colocado em seu próprio grupo, Helicobacter.

O gênero Helicobacter, juntamente com outros, forma a superfamília VI de bactérias gram-negativas. Quando observada à microscopia de luz e ótica, esta bactéria apresenta morfologia homogênea, espiralada, de superfície lisa e extremidades arredondadas, móvel, não-esporulada e microaerófila. Medem entre 0,5 µm a 0,1µm, e apresentam largura aproximada de 0,3 µm de comprimento, possuindo de quatro a seis flagelos unipolares.

Atualmente são conhecidas, pelo menos, 27 espécies pertencentes a este gênero, que compartilham propriedades comuns. Estas bactérias podem estar presentes na mucosa gástrica de maneira focal, segmentar ou difusa, sendo encontradas no interior ou abaixo da camada de muco que reveste o epitélio da superfície ou criptas gástricas.

A H. pylori possui extraordinária habilidade de aderência. Como já foi dito anteriormente, esta bactéria coloniza apenas a mucosa gástrica, sendo eventualmente observada em regiões de metaplasia do intestino; no duodeno coloniza regiões de metaplasia gástrica, condição essencial para seu desempenho na patogênese da úlcera péptica duodenal.

Esta bactéria está presente no mundo todo e, nos humanos, a gastrite induzida por ela é uma das infecções mais comuns, acometendo aproximadamente metade da população mundial. Sua prevalência varia de acordo com o nível social, com a idade e etnia, sendo que estudos mostram que a infecção pela H. pylori é maior com o aumento da idade dos indivíduos, bem como é maior nos países em desenvolvimento.

Os mecanismos de transmissão normalmente geram muita polêmica. As vias oral-oral e fecal oral aparentemente são as principais formas de transmissão. Alguns pesquisadores sugeriram que a água contaminada por fezes de indivíduos infectados compõe uma importante fonte de infecção. Recentemente, foi relatado que essa bactéria também pode ser transmitida por via oral-anal.

Alguns pesquisadores sugerem que, além das causas ambientais que contribuem para a infecção pela H. pylori, determinados fatores do hospedeiro (estes ainda desconhecidos) desempenham um considerável papel nas taxas de infecção e nos resultados patológicos provocados pela bactéria.

A primeira e de vital importância é a resistência ao ácido clorídrico, o que confere à bactéria proteção contra os efeitos deletérios do ácido pH estomacal. Para colonizar a mucosa gástrica, a bactéria necessita atravessar a barreira de muco responsável por proteger o epitélio gástrico. Lipases produzidas pela H. pylori degradam essa camada de muco, tornando mais fácil a penetração da bactéria. Além disso, há também sua estrutura espiral, o que confere a essas bactérias ágil movimentação, transpondo a camada de muco, instaurando íntimo contato com as células epiteliais que revestem o estômago. Outras enzimas sintetizadas pela H. pylori, concedem proteção contra a ação das células de defesa, impossibilitando uma resposta eficaz do hospedeiro.

A alteração histológica mais visível na mucosa gástrica é a resposta inflamatória, podendo resultar em carcinogênese gástrica por levar a danos no DNA das células.

Existem diversas maneiras de descobrir a infecção por esse microrganismo. Durante uma endoscopia digestiva o médico pode remover um pequeno fragmento da parede do estômago e mandar para um patologista para que este pesquise a presença da bactéria. Existe também um teste respiratório de fácil realização que não necessita de endoscopia. Pode também ser feita a pesquisa por anticorpos anti-Helicobacter pylori no sangue, sendo este um exame recomendado para saber se já houve a infecção pela bactéria, pois os anticorpos permanecem cerca de 1 ano positivos após a erradicação da bactéria.

Sua eliminação é feita por meio do uso de antibióticos e fármacos de ação local, permitindo ao portador uma vida saudável, sem os incômodos gerados pela H. pylori.

Fontes:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1676-24442003000400011
http://www.boasaude.com.br/artigos-de-saude/2712/-1/helicobacter-pylori-hp-o-grande-vilao-das-gastrites.html
http://www.rgnutri.com.br/sap/saude-publica/hp.php
http://www.gastroalgarve.com/doencasdotd/estomago/helicobacterpylori.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Helicobacter_pylori
Foto: http://www.oncohematos.com.br/artigos.php?op=12