| Por Ana Lucia Santana |
Mas nem todos os seguidores do Espiritualismo acreditam em espíritos, ou na comunicação entre estes e os homens encarnados, crença que define os espíritas, que adotam o Espiritismo. Allan Kardec, criador da Doutrina Espírita, intuiu esta confusão lingüística, pois evitou o termo ‘espiritualismo’ para conceituar a nascente corrente filosófica que ele contribuiu para divulgar em nosso planeta. Assim, ele preferiu as expressões ‘espírita’ e ‘Espiritismo’ para diferenciar esta nova religião, expressando desde o próprio nome a essência de sua crença nos espíritos.
Portanto, o Espiritismo, além da fé no Criador e na existência da alma, professa igualmente as idéias da sobrevivência da alma, da reencarnação e da interação entre encarnados e desencarnados. Seus postulados estão gravados essencialmente em “O Livro dos Espíritos”, que tem como subtítulo ‘Filosofia Espiritualista’, afirmando sua filiação à corrente do Espiritualismo, ao lado de outras religiões. Embora outras correntes filosóficas também professem estes mesmos princípios, elas os mesclam com concepções culturais provindas do Oriente, da África e da cultura indígena.
Enquanto o Materialismo explica fenômenos como a memória, a capacidade de raciocinar, as emoções e os sentimentos como impulsos apenas físico-químicos do sistema nervoso, do sangue, enfim, do complexo orgânico do Homem, e o Universo como uma obra do acaso, perfeitamente explicável pelas leis das Ciências Exatas, os adeptos do Espiritualismo crêem na Criação Divina e na alma como fonte dos sentimentos, das sensações, das paixões e dos pensamentos humanos.
O Espiritualismo, além da rica tradição oriental, tem como pilares também o legado ocidental, sob inspirações que remontam à Filosofia Grega – os Daimons socráticos, seres divinos que eram como vozes interiores guiando o homem em sua jornada, e a Metafísica Platônica -, à mensagem do Evangelho de Jesus, ao desenvolvimento do Cristianismo, ao Neoplatonismo, à herança dos celtas, que acreditavam na imortalidade da alma, à influência da Mitologia, às correntes heréticas, principalmente os Cátaros e os Templários, ao Luteranismo, às descobertas de Giordano Bruno, a filósofos como Descartes, Espinosa, Kierkegaard, ao Romantismo Alemão, ao Existencialismo, ao nascimento do Espiritismo e da Física Moderna, à Psicologia Analítica de Jung, à Parapsicologia e aos modernos paradigmas que orientam a Humanidade.
Há algumas semelhanças entre as religiões cristãs que integram o Espiritualismo, pois alguns pesquisadores revelam que no início do desenvolvimento da cultura judaico-cristã era comum acreditar na reencarnação, pilar das doutrinas que envolvem a mediunidade, sendo eliminada da crença católica no ano de 553 d.C., durante o Concílio de Constantinopla, atual Turquia. O Hinduísmo e o Budismo, também membros do Espiritualismo, também têm como princípio a Reencarnação, embora a percebam de maneira diferenciada.
A própria Ciência vem, ultimamente, comprovando fatos relacionados à existência da alma, a sua influência no cotidiano, principalmente no que diz respeito à saúde, campo no qual têm ocorrido maiores progressos, por meio da comprovação de curas realizadas através de tratamentos com terapias consideradas alternativas e por meio de cirurgias espirituais. A Física também tem avançado muito na explicação de fatos que antes eram apenas do domínio religioso, principalmente a Física Quântica.
| Data de publicação: Categorias: Religião |
Imprimir | Recomendar | Link |
