Existencialismo

Doutorado em andamento em Filosofia (UERJ, 2018)
Mestre em Filosofia (UERJ, 2017)
Graduado em Filosofia (UERJ, 2015)

Existencialismo é um termo utilizado para designar o movimento filosófico e literário que teve início entre diversos pensadores em meados do século XX e que foi majoritariamente representado por filósofos franceses, mas que também foi atribuído a pensadores alemães como Martin Heidegger (1889 – 1976) e Karl Jaspers (1883 – 1969). A criação do termo é comumente atribuída ao filósofo francês Gabriel Marcel (1889 – 1973).

Apesar de ter sua criação datada do final da Segunda Guerra Mundial, costuma-se traçar as raízes do existencialismo até à filosofia e à literatura desenvolvidas por volta da metade do século XIX. No que diz respeito à sua filosofia, os fundamentos existencialistas são atribuídos, na maioria das vezes, ao filósofo e teólogo dinamarquês Søren Kierkegaard (1813 – 1855) e ao filósofo alemão Friedrich Nieztsche (1844 – 1900). No âmbito literário suas bases são atribuídas ao escritor russo Fiódor Dostoiévski (1821 – 1881).

Mesmo que seja possível ver em alguns manuais de filosofia o termo “doutrina” ser aplicado ao existencialismo, é difícil que se possa considerá-lo dessa maneira. Uma doutrina tende a possuir um fio condutor coerente, o que de modo algum é possível perceber entre os existencialistas. Mesmo o termo “movimento”, utilizado acima, pode ser problemático, tendo em vista que quase todos os que foram reconhecidos como existencialistas negaram que pudessem ser contados como tais. O mais próprio, de fato, seria considera-lo um “clima de pensamento”. Contudo, são diversos os conceitos comuns que permeiam os escritos dos diferentes autores ditos existencialistas. O absurdo da vida, a angústia diante da liberdade e da morte e o desespero diante de si mesmo são temas frequentemente abordados entre tais pensadores e escritores. Esses temas aparecem com frequência especialmente entre aqueles que experimentaram os horrores das duas Grandes Guerras do século XX, que demonstraram a falha dos ideais de progresso da humanidade através da razão, traçados pela filosofia iluminista. Nesse sentido, o existencialismo é visto como uma oposição à filosofia desenvolvida na idade moderna, especialmente ao idealismo alemão.

Sendo utilizado pela primeira vez por volta dos anos de 1930, o termo existencialismo está diretamente ligado ao termo “existencial”, que foi utilizado filosoficamente pela primeira vez em meados do século XIX. Alguns referem-se a Kierkegaard como o primeiro pensador a utilizar o termo “existência” nesse âmbito. A temática desse filósofo, que coloca na experiência existencial do ser humano o lugar próprio da filosofia, o modo de escrever em aforismos de Nietzsche e a concepção de Heidegger do ser humano como “jogado” no mundo, apresentam algumas das bases metodológicas e conceituais do existencialismo.

Se até o início do século XIX a filosofia se ocupava de questões gerais e abstratas, tendo uma de suas melhores representações na pergunta elaborada pelo alemão Gottfried Wilhelm Leibniz (1646 – 1716) e depois retomada por Heidegger, “porque há o ser e não, antes, o nada?”, com os chamados filósofos da existência a filosofia passa a ser considerada a partir da experiência dos indivíduos no mundo, e encontra seu avanço entre existencialistas como Jean-Paul Sartre (1905 – 1980), talvez o mais conhecido e importante entre eles, que nega que o ser humano possua uma essência que o determine e afirma que tal determinação é dada pela própria experiência existencial de cada um. A frase mais famosa desse filósofo francês é o que define esta concepção: “a existência precede a essência”.

Além daqueles já citados acima, outros filósofos a quem foi atribuída a denominação de existencialista são Albert Camus (1913 – 1960), Simone de Beauvoir (1908 – 1986) e Maurice Merleau-Ponty (1908 – 1961).

Referências:

AUDI, Robert. The Cambridge Dictionary of Philosophy. New York: Cambridge University Press, 1999.

COLLETE, Jacques. Existencialismo. Tradução de Paulo Neves. Porto Alegre: L&PM, 2013.

SARTRE, Jean-paul. O existencialismo é um humanismo. Tradução de João Batista Kreuch. Petrópolis: Editora Vozes, 2013.

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