Jean Paul Sartre

Doutorado em andamento em Filosofia (UERJ, 2018)
Mestre em Filosofia (UERJ, 2017)
Graduado em Filosofia (UERJ, 2015)

Jean-Paul Sartre (1905 – 1980) foi um escritor, roteirista e filósofo existencialista francês. Nascido em Paris, ensinou filosofia em liceus na França até o início da Segunda Guerra Mundial, quando foi convocado para o Exército. Ao voltar para a França, fundou, juntamente com o filósofo Maurice Merleau-Ponty um grupo de resistência intelectual chamado “Socialismo e Liberdade”. Em 1964 foi contemplado com o prêmio Nobel de literatura, mas o prêmio foi rejeitado pelo autor.

Jean Paul Sartre, em 1967. Foto:
Moshe Milner / via Wikimedia Commons / CC-BY-SA 3.0

A principal preocupação de Sartre era a situação existencial dos seres humanos em um mundo cheio de necessidades. Em sua filosofia, sustentou que a relação entre liberdade e responsabilidade era uma das tensões que definiam o caráter da existência humana e que o mundo não possui uma essência e um sentido em si mesmo, mas que está dado, gratuitamente, de modo que é o indivíduo humano que lhe dá sentido e que esse sentido desaparece quando esse indivíduo não tem mais objetivos. O mundo existe, de acordo com Sartre, porque o ser humano existe. O descobrimento da gratuidade do mundo e dessa relação de sentido entre o ser humano e o mundo é o que o filósofo francês chama de náusea e que dá nome a uma de suas principais obras, A náusea. Essa experiência de náusea mostra que o ser humano está submerso nas coisas e não, como costuma-se acreditar, acima delas.

Enquanto no romance A náusea Sartre se concentra no mundo e na imersão do ser humano no mundo, em sua extensa e principal obra filosófica, O Ser e o nada, o escritor francês coloca seu foco sobre a consciência, o que ele chama de “para-si”, em contraposição ao mundo, chamado na obra de “em-si”. O mundo é completo em si mesmo, é o que é. Já a consciência está no mundo mas não é o mundo, não é determinada nem tem essência. A consciência é a possibilidade, quer dizer, é a liberdade. Ela é, na verdade, o próprio ser humano. Assim, consciência e ser humano são uma e a mesma coisa.

É dessa compreensão acima, de que o ser humano e a consciência são um só e que esta consciência é liberdade, que nasce uma das mais famosas concepções da filosofia chamada sartreana: o ser humano está condenado à liberdade. Isso quer dizer que o limite da liberdade é a própria liberdade, ou seja, que o ser humano só não é livre para deixar de ser livre. Assim, ele é plenamente responsável por todos os seus atos, se algo dá certo ou errado em sua vida, isto é uma responsabilidade exclusivamente sua. Querer responsabilizar o mundo, os homens ou Deus por suas próprias falhas é o que Sartre chama de “má-fé”. Somente o indivíduo humano é responsável por suas próprias escolhas, ninguém mais.

Mas o ser humano não é somente um ser em si e para si, ele é também um ser para os outros. Isto significa que o modo como as outras pessoas olham para um indivíduo também determinam o seu olhar a respeito de si mesmo. Um caso bastante recorrente é quando alguém é visto por outra pessoa ao fazer alguma coisa que considera humilhante. Automaticamente a pessoa flagrada se reconhece a partir do olhar do outro. É dessa condição que surge outra famosa frase do filósofo: “o inferno são os outros”.

Jean-Paul Sartre foi, certamente, um dos maiores pensadores da filosofia chamada existencialista. Com a famosa frase “a existência precede a essência”, procurou demonstrar que o ser humano não é determinado por algo anterior ou superior, mas que é livre para construir a si mesmo a partir de sua liberdade radical.

Referências:

AUDI, Robert. The Cambridge Dictionary of Philosophy. New York: Cambridge University Press, 1999.

ANTISIERI, Dario; REALE, Giovanni. História da filosofia: Do romantismo até os nossos dias. São Paulo: Paulus, 1991.

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