Mórmons

Por Ana Lucia Santana
Os mórmons fazem parte de uma igreja denominada A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias – grupo religioso que se considera restauracionista, ou seja, ele pretende resgatar o cristianismo primitivo. Esta religião teve início nos Estados Unidos, no século XIX, sob a liderança de Joseph Smith Jr., identificado por seus discípulos como o primeiro Profeta deste período. Eles não carecem dos ensinamentos bíblicos - embora creiam na Bíblia -, pois seguem as revelações e ensinamentos de Joseph.

Segundo o líder, ele foi presenteado pelos céus com uma visão de Deus e de seu filho Jesus, que lhe orientaram a fundar uma nova igreja, já que as outras estavam no caminho errado e representavam, portanto, uma ameaça aos ensinamentos divinos. Cabia a ele recuperar as diretrizes da verdadeira igreja. Este evento tornou-se conhecido como a Primeira Visão. Os ensinamentos deixados por Joseph estão inscritos no Livro de Mórmon, que teve origem em uma descoberta de Smith – várias placas aparentemente de ouro, gravadas com vários hieróglifos, vertidos por ele para o inglês. Parece que estes escritos narram a história dos americanos pré-colombianos. A palavra ‘mórmon’ foi retirada do nome de um outro profeta, que teria sido um predecessor na reunião dos textos sagrados desta religião.

Entre os preceitos transmitidos desde então para as várias gerações de mórmons, estão a crença de que Deus possui um corpo tão material quanto o do homem, bem como seu filho Jesus; há três deuses, não uma trindade; não houve criação, Deus apenas juntou o que era material e operou sua transformação em tudo que existe; o homem é igualado a Deus; Jesus é filho de Deus, não do Espírito Santo, neste sentido ele foi criado exatamente como qualquer um de nós; acreditam também que Cristo, depois de ressuscitar, apareceu na América do Norte, selecionou novamente doze seguidores e criou neste local uma igreja que durou aproximadamente duzentos anos; o reino dos céus é resguardado somente para os mórmons, e os que contraíram seu matrimônio no templo e dignificaram a união e a vida, atingiram a divindade.

Esta igreja, depois de ser reestruturada em 1830, cresceu intensamente, o que provocou perseguição e morte, culminando com o assassinato de Joseph em 1844. Mesmo após a partida de seu líder, a religião dos mórmons continua crescendo. Os seguidores são extremamente leais aos seus princípios – conhecem a doutrina de trás para frente e são pagadores fiéis do dízimo.

No cotidiano, os mórmons são muito severos, metódicos, regrados, disciplinados. Segundo os estudiosos, essas características atraem muita gente, considerando-se que vivemos em um mundo cada vez mais caótico. Eles se abstêm de café, chá preto e álcool; não fumam e consideram um propósito sagrado entrar nos recintos sagrados enquanto são efetuados casamentos e batizados, pois somente os que conduzem suas existências com dignidade têm permissão para serem incluídos nestas igrejas. O pecador só alcança sua redenção através do mérito próprio, do esforço que realiza para mudar sua própria maneira de agir. Para isso, ele deve admitir que errou, depois tentar consertar seu deslize, então pedir a Deus e ao prejudicado por seus pecados que o perdoem.

Eles acreditam que já existiram antes do nascimento, e devem se esforçar, em sua jornada terrena, para poder retornar ao paraíso celestial. Enquanto isso, os mórmons aguardam a volta de Jesus, que será anunciada através de sinais, exclusivamente aos que são obedientes. Outro traço destes religiosos é que eles não adoram a cruz, porque ela simboliza o sofrimento de Jesus. Os matrimônios, para eles, são eternos, vencem inclusive a morte. Os mórmons são evangelizadores por natureza, e para tal fim eles são muito bem preparados. Os adeptos não só aprendem os ensinamentos de Jesus na teoria, mas são estimulados a praticá-los desde cedo, quando frequentam as Escolas Dominicais. Esta religião dá muita ênfase à convivência com a família, dedicando uma obra de 346 páginas à orientação dos seus fiéis no quesito familiar.