Mórmons é o nome pelo qual ficaram conhecidos os membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, uma denominação cristã nascida nos Estados Unidos no século XIX. O apelido vem do Livro de Mórmon, uma das escrituras sagradas do grupo. A própria igreja, aliás, pede desde 2018 que se use preferencialmente o nome completo da instituição, embora “mórmon” continue sendo a forma mais comum no dia a dia.
Quem mora em cidade grande no Brasil provavelmente já cruzou com eles: são os jovens de camisa branca, gravata e crachá preto que andam em dupla, geralmente de bicicleta ou a pé, oferecendo conversas sobre religião.
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Joseph Smith e a origem da igreja
A história começa com Joseph Smith Jr., um jovem agricultor do estado de Nova York. Segundo o relato da igreja, por volta de 1820 ele teve uma visão de Deus Pai e de Jesus Cristo, que lhe disseram para não se unir a nenhuma das igrejas existentes. O episódio ficou conhecido como a Primeira Visão.
Anos depois, Smith afirmou ter sido guiado por um anjo chamado Morôni até placas de metal com aparência de ouro, enterradas em uma colina. Ele disse tê-las traduzido para o inglês, e o resultado foi publicado em 1830 como o Livro de Mórmon. O texto narra a história de povos que teriam vivido nas Américas antes da chegada de Colombo. Mórmon, de acordo com o livro, foi um profeta que reuniu e resumiu esses registros.
Ainda em 1830 a igreja foi formalmente organizada. O grupo se considera restauracionista: acredita que a igreja original fundada por Jesus havia se perdido e precisava ser restaurada, com profetas e apóstolos vivos.
Perseguição e a mudança para Utah
O crescimento rápido gerou conflitos. As ideias do grupo, o voto em bloco e, mais tarde, a prática da poligamia provocaram hostilidade dos vizinhos em vários estados. Os fiéis foram expulsos do Missouri, episódio associado à chamada Guerra Mórmon, e em 1844 Joseph Smith foi assassinado por uma multidão enquanto estava preso em Carthage, Illinois.
Sob a liderança de Brigham Young, milhares de membros atravessaram o país em carroças e se estabeleceram em 1847 no vale do Grande Lago Salgado, onde fundaram Salt Lake City. A cidade é até hoje a sede mundial da igreja e abriga seu templo mais famoso, mostrado na foto abaixo. A poligamia foi oficialmente abandonada em 1890; grupos que ainda a praticam não são reconhecidos pela igreja.
Principais crenças
Os santos dos últimos dias se consideram cristãos e aceitam a Bíblia, mas a colocam ao lado de outras escrituras: o Livro de Mórmon, Doutrina e Convênios e Pérola de Grande Valor. Também acreditam que a revelação continua, por meio do presidente da igreja, visto como profeta.
Algumas crenças os distinguem bastante de católicos e evangélicos. Em vez da Santíssima Trindade como um só Deus em três pessoas, eles falam na Trindade como três seres distintos: o Pai e o Filho com corpos de carne e ossos glorificados, e o Espírito Santo como personagem espiritual. Acreditam ainda que todas as pessoas existiram como espíritos antes de nascer, que a vida na Terra é um período de aprendizado e que o ser humano pode progredir até se tornar semelhante a Deus.
Segundo o Livro de Mórmon, Jesus, depois de ressuscitar, visitou povos do continente americano e organizou ali uma igreja com doze discípulos. Outra ideia central é a do casamento eterno: uniões realizadas nos templos, chamadas de “selamentos”, valeriam também depois da morte. Daí a enorme ênfase que a igreja dá à família, com práticas como a noite familiar semanal.
A cruz, curiosamente, não aparece nos templos e capelas. Os membros preferem lembrar o Cristo ressuscitado, e não o momento de sua morte.
Como vivem os mórmons
O cotidiano é marcado por regras claras. A chamada Palavra de Sabedoria proíbe álcool, tabaco, café e chá preto. Os fiéis pagam o dízimo, jejuam uma vez por mês e participam de reuniões aos domingos, que incluem aulas da Escola Dominical para crianças e adultos. Os templos, diferentemente das capelas comuns, só podem ser frequentados por membros considerados dignos, que recebem uma recomendação dos líderes locais.
O trabalho missionário é uma das marcas mais visíveis. Muitos jovens dedicam cerca de dois anos (os rapazes) ou dezoito meses (as moças) à missão, quase sempre longe de casa e, com frequência, em outro país. Por isso não é raro encontrar um missionário norte-americano falando português com sotaque em alguma cidade do interior brasileiro.
A igreja no Brasil
Os primeiros missionários chegaram ao Brasil na década de 1920, inicialmente para atender imigrantes alemães no Sul. A igreja cresceu bastante a partir da segunda metade do século XX, e em 1978 foi dedicado em São Paulo o primeiro templo da América do Sul. Hoje o país está entre os que têm mais membros no mundo, com templos em várias capitais, como Recife, Porto Alegre, Curitiba, Manaus e Fortaleza.
Referências
- A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias – site oficial
- A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias – Wikipédia
Texto originalmente publicado em https://www.infoescola.com/religiao/mormons/
