Nefilins

Por Ana Lucia Santana
O termo Nefilim deriva do hebraico ‘nefilím’, que tem o sentido de ‘desertores, caídos, derrubados'. Há nesta palavra uma referência constante a algo que sofreu uma queda ou que está perdido. No idioma aramaico a constelação de Orion, que na tradição hebraica está vinculada ao anjo Shemhazai, é denominada Nephila, segundo o Livro de Enoque, versão apócrifa do Antigo Testamento.

Nas Sagradas Escrituras é possível encontrar inúmeras referências aos filhos de Elohim, ou seja, da Divindade ou, como também são conhecidos, os seres heroicos que geraram os Nefilins. Normalmente os frutos das relações entre estes supostos anjos caídos e as filhas dos homens são descritos como criaturas gigantescas, as quais se popularizaram como os antigos heróis e os valentes que povoam mitos de diversas culturas.

Resta saber o que eram, afinal, os Nefilins. Há várias teorias e hipóteses que procuram responder estas indagações. As lendas dos hebreus afirmam serem eles super-heróis que usavam o poder para praticar o mal. Sua constituição genética era uma mescla de genes dos anjos caídos e dos humanos.

Teólogos e pesquisadores dos textos bíblicos não conseguem, até nossos dias, entrar em acordo sobre os Nefilins. Há pelo menos duas correntes principais sobre este tema. O erudito inglês G. H. Pember defende que os assim chamados ‘Filhos de Deus’, insistentemente citados no Gênesis, são anjos que, uma vez no Planeta Terra, tiveram relações com mulheres humanas e, por esta razão, foram severamente castigados pelo Criador e projetados no abismo.

Suas crias seriam uma mistura de características humanas e angélicas. Esta tese é adotada por teólogos como John John Fleming e S. R. Mitland. O escritor Caio Fábio, em sua obra ficcional Nephilim, também se vale deste argumento, assim como Danielle Trussoni em seu livro de ficção Angelologia. Os cristãos primitivos acreditavam nesta teoria, a qual vigorou durante a Era Medieval. No Livro de Enoque consta esta mesma versão.

Outra linha de pensamento postula que os Nefilins não eram seres angelicais, e sim os herdeiros de Sete, filho de Adão, os quais eram ainda apóstolos de Deus. As ‘filhas dos homens’ seriam as descendentes de Caim, distanciadas do Criador; os filhos de ambos eram considerados entes heróicos, porém vistos pelas Sagradas Escrituras como espíritos em queda, por terem se afastado dos caminhos do Senhor.

A favor desta corrente está a ideia de que os anjos não poderiam gerar outros seres e, ao mesmo tempo, a expressão ‘filhos de Deus’ só podia denominar os verdadeiros fiéis do Criador. Pensadores como Agostinho, C. I. Scofield e Gordon Lindsay faziam parte deste grupo.

Um movimento de natureza evolucionista proclama que estas criaturas eram herdeiras de Adão, enquanto as descendentes dos homens provinham de uma estirpe mais primitiva, no caso a Neandertal. Hoje investigações da Ciência confirmam que 4% do DNA humano vêm desta raça.

Outros pensadores explicam este hibridismo como uma suposta experimentação genética que as criaturas angelicais teriam realizado no aparato biológico humano daqueles tempos, como uma maneira de induzir a evolução do corpo físico da Humanidade.

Nas Sagradas Escrituras o leitor vai encontrar expressões como ‘anjos caídos’, espíritos impuros’, e ‘demônios’, todas utilizadas para denominar os Nefilins; no Livro de Enoque há ainda outro título: Vigilantes.

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Nefilim
http://www.gotquestions.org/portugues/gigantes-Nefilins.html