Burguesia

Mestrado em Sociologia Política (UFSC, 2014)
Graduação em Ciências Sociais (UFSC, 2011)

A burguesia é a classe social dominante a partir da Idade Moderna, uma vez faz-se proprietária dos meios de produção e, consequentemente, detentora também do poder econômico e político, exercendo controle sobre o Estado. Ela é a classe que se contrapõem ao proletariado, que, desprovido desses meios de produção, possui unicamente a sua força de trabalho, colocada a disposição da burguesia. De forma simplista, estamos falando daquela parcela da sociedade que controla o capital, que não vive de salário, mas do lucro – geralmente incluímos aqui os grandes empresários industriais, os executivos de multinacionais e os banqueiros.

O termo burguesia descende do vocábulo latino burgesis, popularizado pela forma francesa bourgeoisie e usado na Idade Média para referir-se aos habitantes das primeiras cidades – os chamados burgos. A burguesia constituía uma camada intermediária entre a nobreza e os plebeus, sendo composta principalmente por pequenos comerciantes e artesãos. Com o desenvolvimento do comércio - possibilitado em grande parte pelas Grandes Navegações – o poder econômico da burguesia cresce, possibilitando a acumulação inicial de capital que depois irá proporcionar a eclosão da Revolução Industrial na Europa. Ainda que possuísse esse poder econômico, a burguesia não gozava plenamente dos poderes políticos e dos privilégios que, na ordem feudal, eram exclusivos da aristocracia. Diante desse cenário, a burguesia cumpre um papel revolucionário, ao se contrapor drasticamente às antigas estruturas que sustentavam o sistema feudal. É por conta dessa objeções que a burguesia, com seu crescente poder, se levanta contra a organização social decadente do feudalismo, provocando episódios históricos que ficaram categorizados como revoluções burguesas, sendo a Revolução Francesa sua mais notável expressão.

A burguesia retira o poder político das mãos da aristocracia e declara a sua possibilidade de conduzi-lo a sua própria maneira. Ela concede, ao menos formalmente, o direito universal de todos os homens a participar da vida política, através do voto e do parlamento. No campo jurídico, inspirada pelo iluminismo, a burguesia declara a igualdade de todos perante a lei. O exercício do poder da burguesia, como classe dominante, não se dá, portanto, apenas no campo econômico, mas também no campo das ideias. É por isso que se pode falar também da ascensão de um espírito, uma arte, uma historiografia, uma filosofia política e até um modo de vida burguês. É uma classe que inova e revoluciona a Europa, dando ao mundo ocidental uma cara totalmente nova, dominada pelo modo de produção capitalista e portadora de um espírito liberal. Conceitos como a liberdade individual, a proteção da propriedade privada, o livre comércio e os direitos civis, derivam do pensamento burguês.

Ao mesmo passo em que se desenvolve a burguesia, também se desenvolve o proletariado, classe social também típica da modernidade. Não é possível conceber a existência de um sem o outro. O proletariado é a classe social que vende sua força de trabalho para a burguesia, que por sua vez explora o proletariado para sua sustentação. Essa configuração moderna da luta de classes gera uma série de contradições que irão, segundo os marxistas, desembocar na superação do modo de produção capitalista. No mundo contemporâneo, com sua organização econômica complexa, às vezes é difícil identificar claramente a existência dessas classes sociais. A burguesia não é um grupo homogêneo, pois dentro de si abriga diferentes subdivisões. Em países periféricos, onde elementos pré-capitalistas convivem com uma industrialização tardia, a categorização de classes também é um tanto mais complexa e permite leituras variadas.

Bibliografia:
BOBBIO, Nobert. Dicionário de política. Brasília: Editora UnB 11ed, 1998
BOTTOMORE, Tom (editor). Dicionário do pensamento marxista. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001

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