Cooperativismo

Por Camila Conceição Faria
As Cooperativas são empresas formadas e dirigidas por uma associação de indivíduos que possuem os mesmos direitos e o mesmo objetivo, o de realizar uma atividade econômica ou prestar serviços diretamente ao consumidor final, eliminando intermediários.

O Cooperativismo é uma doutrina econômica cujo objetivo é solucionar os problemas sociais através de comunidades de cooperação formadas por indivíduos livres, que se responsabilizariam pela gestão da produção e teriam direitos iguais sobre os bens produzidos. Para muitos, esta é uma forma alternativa ao capitalismo e ao socialismo, no entanto, suas raízes encontram-se no chamado “socialismo utópico”, movimento do qual fez parte o inglês, Robert Owen, patrocinador da primeira cooperativa européia em 1844. O cooperativismo ganhou força com a Revolução Industrial, quando muitos artesãos viram nesta atividade uma forma de se organizar e se reerguer fazendo frente aos novos meios de produção que se impunham.

No contexto econômico e sociológico, cooperativismo é toda relação entre indivíduos e/ou entidades onde exista ajuda mútua com a finalidade de se alcançar um objetivo comum, utilizando-se de métodos mais ou menos consensuais entre as partes.

Pode-se afirmar que o cooperativismo se opõe à política capitalista monopolista das grandes corporações, sendo visto por muitos como a forma ideal de gestão das interações humanas. No entanto, deve-se lembrar que determinadas formas de cooperação são consideradas ilegais em algumas jurisdições por prejudicar o acesso a certos recursos, medida esta, que é tomada a fim de se evitar, por exemplo, a formação de cartéis, afinal, ainda que alguns estudos demonstrem a inclinação altruísta do ser humano em agir de forma a cooperar em busca de benefícios ao grupo, sua natureza regida por motivações pessoais egoístas, cria a possibilidade de cada indivíduo agir em sentido contrário, valorizando interesses pessoais em detrimento dos objetivos do grupo; essa possibilidade é retratada no conhecido “dilema do prisioneiro”, onde o comportamento individualista acaba recebendo uma punição e a cooperação sendo recompensada. Apesar desta observação não se pode negar que, a cada dia, a sociedade valoriza e incentiva cada vez mais o “espírito cooperativista” do indivíduo, principalmente na vida profissional, onde as empresas buscam, cada vez mais, profissionais capazes de trabalhar em grupo, de compartilhar e de absorver novos conhecimentos através da troca com outros indivíduos no ambiente de trabalho.

O Cooperativismo, além de uma forma alternativa de atividade econômica, é um meio de resgatar valores como a ajuda mútua, o compromisso pessoal com a atividade desenvolvida, a igualdade entre os indivíduos, transparência e, principalmente a democracia e a responsabilidade social.

No Brasil o cooperativismo teve início por volta do século XIX, com destaque para o meio rural; hoje, ele é regulado por leis próprias e subordinado ao Conselho Nacional de Cooperativismo, órgão pertencente ao Ministério da Agricultura, possuindo ainda uma instituição financeira especial, o Banco Nacional de Crédito Cooperativo, e diversas outras instituições, governamentais ou não, que se dedicam ao assunto. Internacionalmente, conta com a Aliança Cooperativa Internacional (ACI) e diversos outros órgãos relacionados a segmentos específicos. O cooperativismo vem ganhando cada vez mais adeptos no Brasil e no mundo; no ano de 2006 o número de cooperados no Brasil era de 7,4 milhões, sendo 2,8 milhões só no Estado de São Paulo, conforme divulgado pela Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo, a OCESP (Cooperativa pode ser alternativa à informalidade, 08.08.07, disponível em: www.cooperativas.com.br, acesso em 13.09.2007).

Existem vários tipos de cooperativas que se distinguem pela natureza de seus associados e/ou atividades desenvolvidas, sendo as mais comuns as de produção, consumo e crédito, podendo existir ainda as cooperativas mistas, ou seja, dois ou mais tipos de atividades sendo executados pela mesma empresa. Abaixo os diversos segmentos do cooperativismo no Brasil e uma breve descrição da atividade desenvolvida em cada um deles.

Segmentos do cooperativismo no Brasil

Agropecuário: são cooperativas de produtores rurais e atividades similares e, ainda, de fornecedores de insumos agropecuários.

Consumo: são cooperativas de consumo, abertas ou fechadas, para compra em escala de produtos, insumos e serviços.

Crédito: são cooperativas de crédito rural e de crédito urbano, que visam facilitar o acesso ao crédito, com uma taxa de juros baixa e prestações adequadas para o financiamento de projetos próprios e de compras diversas.

Educacional: são cooperativas de alunos de escolas de diversos graus e pelas cooperativas de pais de alunos.

Especial: são cooperativas de deficientes mentais, escolares, de menores de 18 anos, de índios não aculturados, de deficientes físicos e de outras pessoas relativamente capazes.

Habitacional: são cooperativas de construção, manutenção e/ou de administração de conjuntos habitacionais e condomínios.

Mineração: são cooperativas cujo objetivo é a exploração minério.

Produção: são cooperativas de bens de consumo, tais como: eletros domésticos, tecidos, móveis, produtos mecânicos e metalúrgicos e outros bens de consumo nas quais os meios de produção pertencem à pessoa jurídica e os cooperados formam os quadros diretivo, técnico e funcional da empresa.

Serviço: são cooperativas que tem como objetivo a prestação de diversos serviços comunitários.

Trabalho: são cooperativas formadas pela união de diversos profissionais e/ou técnicos que desenvolvam atividade comum, como arquitetos, artesãos, artistas, auditores e consultores, aviadores, cabeleleiro, carpinteiros, catadores de lixo, e outros.

Princípios Fundamentais para a formação de cooperativas

- Adesão livre e voluntária;
- Controle democrático pelos sócios;
- Os sócios participam de forma igualitária e democrática no capital da cooperativa;
- As cooperativas são órgãos autônomos e independentes controlados por seus membros com a finalidade de ajuda mútua;
- As cooperativas possuem o dever de educar, treinar e informar seus sócios, dirigentes, administradores e funcionários contribuindo para o seu desenvolvimento.
- As cooperativas devem trabalhar em conjunto e ajudar-se mutuamente através de estruturas locais, regionais, nacionais e internacionais;
- As cooperativas devem trabalhar pelo desenvolvimento sustentável de suas comunidades com a ajuda e aprovação de seus membros.

Fontes:
http://www.ocemg.org.br
http://www.portaldocooperativismo.org.br
http://www.abracoop.com.br