Patriarcado

Mestre em Ciências Sociais (PUC-Rio, 2015)
Graduada em Ciências Sociais (UERJ, 2012)

Patriarcado pode ser entendido como uma instituição social que se caracteriza pela dominação masculina nas sociedades contemporâneas em várias instituições sejam elas políticas, econômicas, sociais ou familiar. É uma forma de valorização do poder dos homens sobre as mulheres que repousa mais nas diferenças culturais presentes nas ideias e práticas que lhe conferem valor e significado que nas diferenças biológicas entre homens e mulheres (MILLET,1969, p. 58).

O uso deste termo possui diversas concepções dentro da teoria feminista. Para algumas, “trata-se do conceito capaz de ‘capturar a profundidade, penetração ampla e interconectividade dos diferentes aspectos da subordinação das mulheres” (WALBY, 1990, p.2). Para outras feministas, a noção de patriarcado seria apenas mais uma forma de manifestação da dominação historicamente masculina que corresponderia a uma forma específica de organização política, vinculada ao absolutismo, e bem diferente do que conhecemos nas democracias contemporâneas. Embora as instituições patriarcais se transformem, a dominação masculina permaneceria uma constante.

Sylvia Walby, teórica feminista que escreveu uma obra teorizando acerca do patriarcado entende que ele se manifesta de duas formas: na forma privada, na família, onde as mulheres são excluídas da esfera pública e controladas diretamente pelos indivíduos patriarcais. No que ela entende como patriarcado público, por outra vez, as mulheres conseguem ter acesso tanto à esfera pública como à privada, mas continuam subordinadas no âmbito público. Esta mudança do patriarcado na esfera pública e privada é defendida pela autora como uma interação da expansão do capitalismo com a primeira onda do feminismo.

Existe tanto a compreensão quanto o argumento de parte do movimento feminista sobre o caráter patriarcal do Estado, ou, de forma ainda mais hierárquica, de que o Estado é parte do patriarcado. Esta seria a razão pela qual, previamente subordinado ou contaminado pelas dinâmicas das relações de poder entre os gêneros e da dominação masculina, ele seria impossível de conciliação com o ideário feminista (BIROLI; MIGUEL, 2012, p. 248).

Entender a noção de patriarcado é essencial para se entender a opressão sentida pelas mulheres historicamente. Embora seu uso possua diversas concepções, é comum a todos o entendimento de que o patriarcado é uma instituição social dominada por homens que mantem as mulheres à margem da sociedade e submissas ao poder masculino em diversas esferas sejam elas políticas, sociais ou econômicas. Conclui-se que embora as diversas formas de dominação patriarcal e suas instituições tenham se transformado com o passar dos anos, a dominação masculina continua presente e seria, de certa forma, “um fenômeno mais geral que o patriarcado” (BIROLI; MIGUEL, 2014, p. 19).

Referências:

MILLET, K. (1969). Sexual politics. London. 1969

WALBY, S. Theorizing patriarchy. Oxoford, Basil Blackwell, 1990.

MIGUEL, L. F; BIROLI, F. Feminismo e política. 1. ed. São Paulo: Boitempo, 2014. v. 1. 164p

MIGUEL, L.F.; BIROLI, F. Teoria política e feminismo: abordagens brasileiras. 1. ed. Vinhedo: Horizonte, 2012. v. 1.

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