Retina

Por Débora Carvalho Meldau
A retina é a parte do olho dos vertebrados responsável pela formação de imagens dos objetos visualizados.

Ela originou-se da evaginação do diencéfalo que, à medida que evolui, aprofunda-se no centro, formando uma estrutura de paredes duplas, o denominado cálice óptico. A parede mais externa dará origem a uma fina camada constituída por epitélio cubóide simples, com células carregadas de pigmento, o epitélio pigmentar da retina. Os fotorreceptores e o resto da retina são oriundos da parede interna do cálice óptico. A camada pigmentar da retina adere fortemente à coróide, mas prende-se fracamente à camada fotossensível.

O epitélio pigmentar é formado por células cubóides com núcleos basais. Esta região basal prende-se fortemente à membrana de Bruch e apresentam invaginações da membrana plasmática e mitocôndrias, sugerindo atividade de transporte iônico.

O citoplasma das células pigmentares apresenta muitos retículos endoplasmáticos lisos, o que tem sido relacionado com o processo de transporte e esterificação da vitamina A utilizada pelos fotorreceptores. As células pigmentares são responsáveis também por sintetizarem melanina, que se acumula sob a forma de grânulos, principalmente nas extensões citoplasmáticas, com o objetivo de absorver a luz que estimulou os fotorreceptores. Além dessas funções, a células pigmentar apresenta no seu ápice lisossomos secundários resultantes do processo de fagocitose e digestão dos fragmentos das extremidades dos bastonetes.

A parte da retina localizada na parte posterior do globo ocular apresenta, de fora para dentro, as seguintes camadas:

  • A camada das células fotossensitivas, os cones e os bastonetes;
  • A camada dos neurônios bipolares, que unem funcionalmente as células dos cones e dos bastonetes às células ganglionares;
  • A camada das células ganglionares, que estabelece contato na sua extremidade externa com os neurônios bipolares e continua na porção interna com as fibras nervosas que convergem, dando origem ao nervo óptico.

Entre a camada dos cones e bastonetes e a dos neurônios bipolares, encontra-se uma região de sinapses entre essas duas células, a qual é denominada camada sináptica externa ou plexiforme externa. A camada sináptica interna (plexiforme interna) é derivada dos contatos entre as células bipolares e ganglionares.

Os cones e os bastonetes são células com dois pólos, cujo único dendrito é fotossensível, enquanto o outro pólo da origem a sinapses com outras células bipolares.

Os prolongamentos fotossensíveis (dendritos) possuem uma forma de cone ou de bastonetes, surgindo daí os nomes dessas células. Os bastonetes são células finas, alongadas e formada por duas porções diferentes. A parte externa apresenta-se formada por microvesículas achatadas, sendo que esse segmento encontra-se separado do resto da célula por uma constrição, denominada de segmento interno. Este último é rico em glicogênio e possui muitas mitocôndrias situadas perto da constrição. As vesículas achatadas dos bastonetes contêm o pigmento rodopsina, que perde sua coloração quando atingido pela luz e se cora novamente na ausência de luz. Acredita-se que uma retina humana possua aproximadamente 120 milhões de bastonetes; são os principais receptores para baixos níveis de luz.

Os cones são também células alongadas que possui segmento interno e externo, corpo basal com cílio e acúmulo de mitocôndrias. No segmento externo também são observados discos empilhados, no entanto, são originários de invaginações da membrana celular. Acredita-se que existam cerca de 6 milhões de cones em uma retina humana; são elementos de percepção de luz em intensidade normal e possibilitam grande acuidade visual.

A camada de neurônios bipolares é composta por células que possuem uma morfologia que varia. De um modo geral, divide-se em dois grupos:

  • Células bipolares difusas: estas estabelecem sinapses com dois ou mais fotorreceptores, podendo chegar até seis;
  • Células bipolares monossimpáticas: estabelecem contato apenas com o axônio de uma célula cone. Essa célula bipolar, por sua vez, estabelece contato, por meio de sua outra extremidade, apenas com uma célula ganglionar.

Anatomia da Retina - células que formam a retina humana.

As células ganglionares também enviam seus axônios em direção a uma determinada região da retina, onde eles se agrupam e formam o nervo óptico. Nessa região não existem receptores, recebendo, portanto, o nome de ponto cego da retina (ou papila do nervo óptico). As células ganglionares também possuem um tipo difuso, que estabelece contato com as células bipolares, e um tipo monossimpático. Além desses, nas camadas da retina encontram-se outros tipos celulares, senda as principais:

  • Células horizontais: os prolongamentos colocados horizontalmente estabelecem contato entre diversos receptores.
  • Células amácrinas: estabelecem contato com as células ganglionares.
  • Células de sustentação: são astrócitos, micróglias e células de Müller.

Após a luz atravessar diversas camadas da retina, ela atinge os cones e bastonetes, dando inicio ao processo visual. Este processo é impressionantemente sensível, sendo que apenas um fóton é capaz de detectar a produção de potenciais elétricos num bastonete. Acredita-se que a luz aja gerando a descoloração dos pigmentos visuais. Esse processo fotoquímico resulta em potenciais de membrana que são transmitidos pelo nervo óptico até o local de percepção visual do cérebro.

O pigmento visual decorado inicialmente é restaurado, podendo iniciar o processo novamente. Em humanos, estão presentes nos cones três pigmentos distintos, base química para a teoria tricolor da visão em cores. A presença de muitas mitocôndrias ao redor da porção fotossensitiva dos cones e bastonetes sugere que o processo consome muita energia. Escassos capilares estão presentes na retina, localizados especialmente na região das camadas de células ganglionares e bipolares. Já na camada das células fotossensitivas, a vascularização praticamente não existe. Isso explica o predomínio do metabolismo glicolítico na retina.

A fóvea é uma região localizada no eixo óptico da retina, onde há maior nitidez da visão. Neste local, a luz atinge as células receptoras diretamente, sem ter que passar pelas outras camadas da retina, contribuindo, portanto, com a nitidez nela formada.

Mesmo uma retina contendo, aproximadamente, 126 milhões de receptores, o nervo óptico possui mais que um milhão de fibras. A informação recebida pelos receptores é selecionada e agrupada, durante o seu trajeto, pelas células da própria retina. Essas células codificam e integram a informação fornecida pelos fotorreceptores, encaminhando-as ao córtex cerebral. Portanto, a retina é uma estrutura receptora-integradora.

Leia também:

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Retina
http://webvision.umh.es/webvision/sretina.html
Histologia Básica – Luiz C. Junqueira e José Carneiro. Editora Guanabara Koogan S.A. (10° Ed), 2004.