Invasão de Timor-Leste pela Indonésia

Apesar de uma breve, mas violenta ocupação pelas forças imperiais japonesas durante a Segunda Guerra Mundial, outra invasão mais drástica e de maior duração marcaria a história de Timor: a invasão indonésia, ocorrida de 1975 a 1999.

Com a independência da República da Indonésia, em 1949, Timor permanece colônia portuguesa sem contestações internas ou externas de grande impacto. O primeiro presidente indonésio, Achmed Sukarno tinha boas relações com Lisboa e reconhecia a sua soberania sobre Timor Leste. Em 1968, porém, uma nova ordem é instalada com a ascensão de Suharto, que havia tomado o poder através de um sangrento golpe militar responsável pela morte de milhares de opositores a seu regime (especialmente comunistas). Seu governo contava com amplo apoio dos Estados Unidos, justamente pelo rigor com que combatia os movimento de esquerda na região em tempos de Guerra Fria.

Em 1974 ocorre a Revolução dos Cravos em Portugal, e com ela é iminente a concessão de independência a todos os territórios. Logo surgem partidos políticos organizados na distante colônia portuguesa, estando entre os mais importantes a Fretilin (Frente Revolucionária de Timor Leste Independente), de orientação maoísta e pró-independência; a UDT (União Democrática Timorense), de direita, que inicialmente defendia uma manutenção dos laços coloniais com Portugal, e mais tarde une-se à Fretilin em prol do movimento independentista; e finalmente, a APODETI (Associação Popular Democrática Timorense) conservadora, que defendia a anexação de Timor à Indonésia.

Em 1975, Portugal abandonará o território à sua sorte, o que fomenta uma guerra civil rapidamente vencida pela Fretilin, que conta com a simpatia da maioria do povo. Tal fato dá o motivo perfeito para que o regime de Suharto invada a antiga colônia portuguesa em dezembro, logo após a Fretilin declarar a independência de Timor, alegando reprimir os comunistas locais, e atendendo ao pedido do povo de integração à Indonésia. No ano seguinte Timor Leste é declarada a 27 ª província da Indonésia, um status nunca reconhecido pelas Nações Unidas.

Desde o início, as forças indonésias se mostraram extremamente violentas na sua relação com a população local, procurando dominá-la através do terror. Logo na ocupação os militares iriam exterminar boa parte dos timorenses com alguma educação formal, uma flagrante forma de genocídio.

Com o tempo e a inércia e impotência de Portugal em seus fracos protestos ante às Nações Unidas, a ocupação persiste, e com ela, uma resistência, que, mesmo violentamente reprimida, insiste em continuar, mesmo simbolicamente, lutando no interior da ilha. Cada investida ou protesto de natureza separatista seria seguida de violenta repressão, com o resultado morte sempre previsto.

Em meio aos constantes massacres, estima-se um mínimo de 90.000 e um máximo de 220.000 mortes relacionadas com o conflitodurante o período de 1975-1999 (ou seja, 13% a 30,5% da população), resultado das ações militares em combates diretos, tortura, alémda fome e da doença causadas pelos explosivos e agentes químicos utilizados pelos indonésios. Noam Chomsky, o renomado linguista, se referiu à invasão e ocupação indonésia de Timor Leste como o pior exemplo de genocídio em relação a uma população desde o Holocausto.

Após a renúncia de Suharto em 1998, o governo indonésio cederia o controle de Timor Leste no ano seguinte , após um referendo para a independência, onde 80% dos timorenses confirmaram o desejo por se separar de seu vizinho.

Bibliografia:
indeterminado. Cronologia. Disponível em <http://amrtimor.org/crono/index_por_ano.php?ano=1974>. Acesso em: 18 out. 2011

BERRIGAN, Frida. The Invasion of East Timor (em inglês). Disponível em <http://www.worldpolicy.org/projects/arms/reports/indo101001.htm#etimor>. Acesso em: 18 out. 2011

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