Aba

“E disse (Jesus): Aba, Pai, todas as coisas te são possíveis; afasta de mim este cálice; não seja, porém, o que eu quero, mas o que tu queres” (Mc 14:36).

A Palavra “Aba” vem do aramaico e significa “Pai” ou em algumas traduções, equivale a uma forma carinhosa de chamar Deus de “Papai”.

Não somente com Palavras, mas sobretudo com ações, Jesus reforçou aos cristãos a posição de Filhos. Na condição de Filhos de Deus, há uma relação de amor, generosidade, perdão, cuidado, carinho e atenção, paciência, antecipação, suprimento de necessidades antes mesmo de pedir, e uma infinidade de virtudes e características que podemos encontrar até mesmo na conduta entre uma mãe ou pai com seu filhos. Inclusive, há uma passagem bíblica em que Jesus exemplifica esse conceito da seguinte maneira: “E qual o pai de entre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, também, se lhe pedir peixe, lhe dará por peixe uma serpente? Ou, também, se lhe pedir um ovo, lhe dará um escorpião? Pois se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem? (Lc 11:11-13).

Provavelmente, em uma comparação muito simplória, apenas para fins da compreensão humana, para que o indivíduo pudesse ter alguma noção do que é tão extraordinário e infinito como o amor de Deus, houve a redução desse amor comparando-o ao de pais humanos, apesar de todas as falhas ou engano que o coração do homem pode apresentar. A mídia, e casos próximos ao cotidiano, trata de explicitar vários casos que fogem ao amor, mesmo entre pais e filhos, maridos e esposas, amigos, visinhos... o fato de ter algum vínculo, algum parentesco não garante a manifestação do amor. Entretanto, como um reflexo da presença de Deus, a essência do amor humano é diferente, segundo a Palavra: “O amor tudo pode, tudo crê tudo suporta” (1Co 13:7).

O amor é um sentimento difícil de ser desmembrado em palavras, de ser explicado (em minha opinião, a palavra amor explica-se por si mesma). O senso comum estabeleceu que o exercício máximo do amor é aquele presente entre um pai ou mãe que amam seu(s) filho(s). Não convencionou-se o amor de filho para o(s) pai(s), pois este pode ainda apresentar limitações, ou o fato de que um filho leva muitos anos para compreender o quanto seus pais ou responsáveis se doaram para que ele viesse (e sobrevivesse) ao mundo. Pais que amam aceitam o filho antes mesmo dele ter forma física, de saber o tom de voz, qualidades e defeitos, virtudes, todo o trabalho que terá em sua educação, as renúncias que virão e etc... é algo que foge ao entendimento humano. Vale ressaltar que isso de forma alguma exclui os filhos adotivos, pelo contrário. Os cristãos são filhos adotivos também: “Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai” (Rm 8:15).

Na condição de filhos, os cristãos amam o Pai e são por Ele amados. Como um bebê recém nascido a humanidade se posiciona diante Daquele que, sem Ele nada seria possível, com total dependência e necessidade dos cuidados Dele para sobreviver, para aprender o que é certo e errado e andar na direção certa. Deus está sempre disposto a acolher o homem como um filho amado, gerado e aceito por Ele apesar de sua humanidade. Um Pai soberano, que conhece seus filhos, grande o suficiente para ver além, e sabe o “ontem, hoje, e amanhã” de cada um, que disciplina a quem ama, é tardio em irar-se, sabe o que precisam antes mesmo de que o peçam, preparou algo que nem olhos viram nem ouvidos ouviram para os Seus e tanto amou, a ponto de dar o seu filho unigênito para sacrificar-se numa cruz e trazer a salvação a todos que se dispusessem a fazer parte dessa famíla.

“E, porque sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai” (Gl 4:6).

Bibliografia:
A Bíblia da Mulher: leitura, devocional, e estudo. 2 ed, Barueri SP: sociedade Bíblica do Brasil 2009.
Bíblia sagrada. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil 2 ed Barueri SP, Sociedade Bíblica do Brasil, 1988, 1993.

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