Deserto na Bíblia

Sentindo fome, sede e frio vazio e desolação /Cansado e com os pés feridos chegou quase cair ao chão /Foi quando de repente ouviu uma voz que lhe dizia então “Filho eu estou aqui não há mais pra onde fugir /Te trouxe para o deserto lugar de encontro comigo”.

O texto acima é parte de uma música chamada “Deserto” interpretada pela cantora Elaine Martins. No contexto bíblico, a palavra deserto pode trazer diferentes significados, mas é maior frequência lembrada quando o assunto é provação, ou período de profunda reflexão, dúvidas, ou ainda a espera de uma confirmação por parte de Deus, sobre tomar alguma decisão.

Algumas passagens citam o deserto de forma literal, por exemplo, como o local percorrido pelos israelitas depois de saírem do Egito, onde viveram por quarenta anos antes de tomarem posse da terra prometida: “E falou o Senhor a Moisés no deserto de Sinai, dizendo: Conta os filhos de Levi, segundo a casa de seus pais, pelas suas famílias, contará todo homem da idade de um mês para cima” (Nm 3:14). “E, naqueles dias, apareceu João o Batista pregando no deserto da Judéia” (Mt 3:1)

Outras utilizam a representação de um deserto para descrever a transformação da cidade após uma batalha: “As tuas santas cidades tornaram-se um deserto; Sião está feita um deserto, Jerusalém está assolada” (Is 64:10). “Porém, quanto a vós, os vossos cadáveres cairão neste deserto” (Nm 14:32).

 Ou ainda, a transformação inversa, ou seja, da vida ou da região após uma restauração: “O deserto e o lugar solitário se alegrarão disto; e o ermo exultará e florescerá como a rosa” (Is 35:1). “Plantarei no deserto o cedro, a acácia, e a murta, e a oliveira; porei no ermo juntamente a faia, o pinheiro e o álamo (Is 41:19).

 Dentro deste tema, sobretudo, a referência mais marcante no contexto cristão está relatada nos evangelhos, e apontam para o momento intermediário entre o batismo de Jesus e o início de seu ministério. Ocorreu que Jesus foi levado pelo Espírito ao deserto, e foi tentado pelo diabo. Depois de Jejuar quarenta dias e quarenta noites, teve fome; então, o tentador questionou Jesus e o instigou a usar o poder que ele tinha, na condição de Filho de Deus, para satisfazer suas próprias vontades: por exemplo, sugerindo que ele transformasse as pedras em pães, já que estava com fome. Jesus respondeu que “Nem só de pão viverá o homem mas de toda Palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4:4).

As investidas do diabo não tiveram sucesso, nem mesmo quando ofereceu os reinos e riquezas para Jesus caso ele o adorasse. Jesus o repreendeu com autoridade e disse “Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele darás culto” (Mt 4:10).

Com este ensinamento, os cristãos compreendem que, mesmo com privações ou tentações, diante da luxúria, barganhas e artimanhas que o diabo tenta usar para causar separação entre Deus e os Seus, nada pode ser maior do que fazer parte do reino de Deus e das promessas por Ele feitas, ainda que, como ilustrado na música citada no início, estejam passando por um deserto.

Bibliografia:

A Bíblia da Mulher: leitura, devocional, e estudo. 2 ed, Barueri SP: sociedade Bíblica do Brasil 2009.

Bíblia sagrada. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil 2 ed Barueri SP, Sociedade Bíblica do Brasil, 1988, 1993.

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