Novo Testamento

A expressão Novo Testamento vem do latim Novum Testamentum e significa A Nova Aliança. Também chamado de Escrituras Gregas, foi empregado a princípio pelo Cristianismo Primitivo para narrar sua interação com o Criador, e depois para denominar uma compilação de 27 livros da religião cristã, criada por Jesus Cristo, há dois mil anos. Seus autores escreveram em épocas e locais distintos, em um curto período - aproximadamente um século -, procurando retratar os ensinamentos do Messias em páginas que transpiram amor e fé. Sua mensagem revolucionou as crenças e os costumes da época, subvertendo valores e padrões sociais arraigados não só na população romana, mas também no próprio povo judeu.

Pode-se dizer que a mensagem cristã moldou a civilização ocidental, mesmo que hoje o materialismo domine a sociedade contemporânea. Seus alicerces resistiram à passagem do tempo, e continuam inquebrantáveis, apesar de tudo. Ele é composto pelos Evangelhos; o Livro de Atos, provavelmente de Lucas, no qual se narra a história dos primeiros cristãos depois da crucificação de Jesus; as Epístolas e as Profecias. Todos eles foram escritos em grego.

O termo ‘Evangelho’ tem o significado de ‘Boa Nova’, em uma alusão ao nascimento de Jesus, o Messias esperado. Os Evangelhos retratam a vida, morte e ressurreição do Mestre. Seus criadores tentam fixar pela escrita os ensinamentos de Cristo, que até então circulavam oralmente. Encontram-se no Novo Testamento o Evangelho de Mateus, apóstolo de Jesus; o de Marcos, que seguia Pedro e Paulo, talvez o primeiro de todos cronologicamente; o de Lucas, discípulo de Paulo e o Evangelho de João, apóstolo de Cristo, distinto dos outros três.

As Epístolas são compostas de várias cartas escritas tanto para outras pessoas, quanto para as primeiras sociedades cristãs. Nelas é possível encontrar temas teológicos fundamentais para se compreender melhor o Cristianismo. As chamadas Cartas Paulinas são atribuídas oficialmente a Paulo de Tarso. Seus títulos referem-se às comunidades cristãs ou aos indivíduos para quem elas eram direcionadas – Romanos, I Coríntios, II Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, I Tessalonicensses, II Tessalonicensses, I Timóteo, II Timóteo, Tito, Filémon e Hebreus, esta anônima, mas normalmente se considera Paulo como seu autor.

As Epístolas Universais são remetidas às comunas cristãs no geral, e são denominadas conforme sua autoria. Durante a Idade Média elas eram posicionadas junto aos Atos, não com as cartas paulinas, como agora. São elas: Tiago, identificado como irmão de Jesus; I Pedro; II Pedro, autoria hoje discutível; I João – suas cartas são às vezes consideradas como criações de membros do seu grupo de seguidores, embora esta em particular seja muito parecida com o estilo do Evangelho atribuído a ele; II João; III João e Judas, irmão de Tiago. A última parte do Novo Testamento está reservada para as profecias, ou seja, ao Apocalipse, de autoria normalmente concedida a João.

Durante cerca de 1500 anos o Novo Testamento foi reproduzido artesanalmente em papiro e pergaminho. Não há uma concordância generalizada entre os vários manuscritos, e assim é preciso empreender uma pesquisa rigorosa para se concluir o que realmente o autor pretendeu escrever e transmitir para a posteridade. Não há atualmente um original no qual se basear, é necessário recorrer a cópias dos textos primitivos. Os pergaminhos eram provavelmente objetos de excessivo manuseio, e antes que se desintegrassem eram reproduzidos à mão, mas o problema é que nessas cópias provavelmente eram cometidos muitos erros de transcrição, que se perpetuaram ao longo do tempo. Daí possivelmente surgiram as discordâncias entre os textos. Há profissionais, conhecidos como críticos textuais, encarregados de reconstituir estes textos com a maior fidelidade possível. As primeiras traduções do Novo Testamento datam do século II, para o latim e o siríaco; para o copta, no século III; gótico, georgiano e etíope, no século IV; em armênio, no século V; árabe, chinês, anglo-saxão, no século VIII; alemão, eslavônio e franco, no século IX. Em nossos dias o Novo Testamento já se encontra traduzido em 459 idiomas e mais de quinze milhões de exemplares são comercializados ou distribuídos anualmente.

Fontes
http://www.filologia.org.br/vcnlf/anais%20v/civ3_05.htm
http://www.bahai.org.br/religiao/Novo.htm

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