Anita Garibaldi

Ensino Superior em Comunicação (Universidade Metodista de São Paulo, 2010)

Ana Maria Ribeiro da Silva ficou conhecida como Anita Garibaldi, importante revolucionária. Participou da Guerra dos Farrapos e da Batalha dos Curitibanos no Brasil e também da Batalha de Gianicolo, na Itália. Por lutar nesses dois países foi nomeada de “Heroína de Dois Mundos”.

Retrato de Anita Garibaldi, por Gaetano Gallino (1839).

Nasceu dia 30 de agosto de 1821 em Morrinhos do Mirim, município de Laguna, Santa Catarina. Era filha de Bento Ribeiro da Silva e Maria Antônia de Jesus Antunes. A família tinha origem humilde e valorizava a cultura e a educação. Quando seu pai faleceu, Anita casou-se aos 14 anos com o sapateiro local. Era uma jovem de caráter independente e resoluto, que defendia e gostava de participar das questões que promoviam liberdade e justiça no país. Sua história encontra-se com a de Giuseppe Garibaldi no ano de 1839, quando o general italiano chega ao Rio de Janeiro em busca de exílio após ser condenado à morte em seu país. Nessa época iniciava no Brasil a Guerra dos Farrapos no Rio Grande do Sul, movimento comandado por Bento Gonçalves e ligado aos latifundiários escravistas e separatistas que lutavam pelo fim do Império brasileiro.

Quando Garibaldi soube dessa revolução logo se envolveu no apoio em defesa da causa. Com homens, armas e um veleiro à sua disposição, Garibaldi seguiu para a cidade de Laguna e lá conheceu Anita, que já estava envolvida na revolução. Apaixonaram-se a primeira vista e a partir desse momento seguiram sempre unidos em qualquer situação. No dia 20 de outubro de 1839 Anita subiu a bordo do navio de Garibaldi para uma expedição até Cananéia, abandonando definitivamente sua vida para trás. Em batalha, era uma mulher valente e não media esforços: chegou a carregar e disparar canhões na batalha de Laguna e lutou bravamente durante o combate em Imbituba, Santa Catarina.

Apesar de ser destemida, Anita Garibaldi foi capturada pelas tropas do Império durante a Batalha dos Curitibanos, mas conseguiu executar uma fuga espetacular nadando pelo rio Canoas e indo ao encontro de Garibaldi em Vacaria. Ela realizou essa façanha já grávida de seu primeiro filho.

Em 1841 Bento Gonçalves dispensa Garibaldi, que segue com Anita para Montevidéu, engajando-se na frente da defesa contra o ex-presidente do Uruguai, Oribe. Em 26 de Março de 1842 Anita casa-se com Garibaldi na paróquia de San Bernardino.

O casal viaja para a Itália e lá continuam envolvidos em lutas para a unificação do país, que na época estava dividido em reinos e repúblicas, além dos territórios pertencentes ao Papa. Sem sucesso na empreitada, são obrigados a fugir de Roma após a derrota na Batalha do Gianicolo. Assim seguem viagem para a Suíça, disfarçados de soldados. Ao passarem pela cidade de San Marino, a embaixada norte-americana ofereceu um salvo conduto para tirar o casal da situação de risco, mas Anita e Giuseppe não aceitaram por acreditarem que uma atitude de “rendição” poderia impactar negativamente o processo de unificação. Continuaram em fuga e Anita adoeceu durante a viagem, na região próxima a província de Ravenna. Estava gestante de cinco meses e não resistiu a uma forte crise de febre tifoide, falecendo nos braços do esposo no dia 4 de agosto de 1849 em Mandriole, Itália. Com o momento de perseguição que enfrentava, Garibaldi precisava continuar em fuga e não conseguiu acompanhar o sepultamento da esposa. O revolucionário italiano seguiu viagem, permanecendo exilado dez anos fora da Itália. Posteriormente, foi erguido um monumento em homenagem a Anita Garibaldi na colina de Gianicolo em Roma, junto ao local onde estão enterrados seus restos mortais. A casa onde Anita Garibaldi residiu em Laguna, Santa Catarina, foi transformada em museu aberto reunindo o acervo histórico das batalhas e objetos que pertenceram à heroína.

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