Fra Angelico

Mestre em História da Arte (Unicamp, 2019)
Bacharel e licenciado em História (USP, 2004)

Fra Angelico nasceu aos 24 de junho de 1395, em Vicchio, aldeia de Mugello, em Florença, Itália. Sua produção artística o insere como um pintor religioso no trânsito da arte gótica (Gótico Tardio) para a arte renascentista.

Batizado como Guidolino da Pietro, em 1418, ingressou na Congregação de São Nicolau e aos vinte anos se transferiu para o convento dominicano de Fiesole. Por volta de 1425, confirmou os votos de ordenação e se tornou frade da Ordem de São Domingos, adotando “Fra Giovanni da Fiesole” como seu nome eclesiástico.

Dedicou-se ao estudo da iluminação de livros e provavelmente estudou com Lorenzo Monaco. Dada a sua vocação, bem como, o exercício da pintura com uma dedicação espiritual também intensa, passou a ser chamado de “Fra Angelico”.

Na condição de iluminador de manuscritos, Fra Angelico dedicou-se a produção de iluminuras para missais e diferentes livros religiosos. Além disso, lhe apareceram as primeiras encomendas de pintura em painéis e de afrescos. Neste período destacam-se o Tríptico de São Pedro (1429) exposto em Florença, no Museu Nacional de São Marcos; a Coroação da Virgem (1432) presente no acervo do Louvre em Paris e a Deposição de Cristo (1435), também exposta no Museu Nacional de São Marcos em Florença.

Fra Angelico passou a trabalhar para os Medici em Florença. Tal fato se deve à transferência dos dominicanos, em 1436, de Fiesole para o Convento de São Marcos, em Florença, que fora cedido pelos Medici à comunidade dominicana.

No convento de São Marcos, hoje convertido em museu, Fra Angelico pintou números afrescos no claustro, na sala capitular, na entrada das vinte celas dos frades e nos corredores superiores, representando cenas do Evangelho.

Devido a transferência para Florença, Fra Angelico desenvolveu várias obras durante a restauração do prédio, sob a chefia de Michelozzo, arquiteto e escultor italiano de Florença.

Entre as obras destacam-se: A Anunciação (1437-1446), exposta no Museu do Prado, em Madri, Espanha; no Museu Nacional de São Marcos em Florença encontram-se os afrescos: A Crucificação (1437-1446); A Prisão de Cristo (1440-1445), A Transfiguração de Cristo (1440-1442) e Pietá (1443).

"Pietà" (1438–1443) - Fra Angelico. Foto: jorisvo / Shutterstock.com

Em 1445, o papa Eugenio IV (1431-47) chamou Fra Angélico em Roma, no intuito de pintar os afrescos da abóbada da Catedral de Orvieto, junto com seu discípulo Benozzo Gozzoli, entre as obras destaca-se: Obediência a Cristo (1447).

Em 1451, foi nomeado prior de Fiesole, assim, Fra Angelico retornou à Roma levado pelo Papa Nicolau V (1447-55). Recebeu a encomenda papal das pinturas dos afrescos da Capela Nicollina. Ali, desenvolveu a pintura hagiográfica, ao representar a vida dos mártires São Lourenço e de São Estevão.

A pintura de Fra Angelico está situada no contexto de transição da Idade Média para o Renascimento. Sendo um religioso, além de pintor, buscou pelas imagens a construção de um discurso que se voltava para a espiritualidade.

Se comparado com o contexto da arte gótica, a obra de Fra Angelico no processo de pensar a composição e a espacialidade produziu resultados de qualidade e competência muito diferentes daquilo que se produziu enquanto pintura no final do medievo, valendo-se por exemplo, do uso da perspectiva e da variação cromática que aprimorou desde o período que começar a pintar as iluminuras. Fra Angelico faleceu em Roma aos 18 de fevereiro de 1455 no convento dominicano próximo à igreja Santa Maria Sopra Minerva. O papa Nicolau V ofertou uma lápide à sua sepultura com a inscrição: “Mereceu a glória mais por sua caridade do que por sua arte”.

Foi beatificado pelo Papa João Paulo II em 1982, portanto, conhecido dali em diante como “Beato Fra Angelico” e declarado o “Padroeiro Universal dos Artistas”.

Fontes:

BARTZ, Gabriele. Fra Angelico: Masters of Italian Art. Ullmann Publishing, 2013.

GOMBRICH, Ernst. História da Arte. Rio de Janeiro: Editora LTC, 16ª edição. 1996.

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