Gil Vicente

Mestre em Ciências Humanas (CEFETRJ, 2014)
Especialista em Linguística, Letras e Artes (CEFETRJ, 2013)
Graduada em Letras - Literatura e Língua Portuguesa (UFRJ, 2011)

Apesar da escassez de referências precisas sobre esse importante personagem, é possível compilar algumas informações convergentes entre historiadores e pesquisadores. Gil Vicente foi um dramaturgo e poeta português, criador de vários autos é considerado um dos maiores representantes do teatro popular em Portugal. Nasceu em Guimarães no ano de 1465 e faleceu em Évora, no ano de 1536.

No início do século 16, há referência a um Gil Vicente na corte, participando dos torneios poéticos. Em documentos da época, aparece outro Gil Vicente, o ourives, a quem é atribuída a Custódia de Belém (1506), recipiente para exposição de hóstias feita com mais de 500 peças de ouro. Há ainda mais um Gil Vicente que foi "mestre da balança" da Casa da Moeda. Alguns autores defendem, sem provas, que os três seriam a mesma pessoa, embora a identificação do dramaturgo com o ourives seja mais viável, dada a abundância de termos técnicos de ourivesaria nos seus autos. Seu nome apareceu pela primeira vez, em 1502, quando encenou a peça “Auto da Visitação” ou “Monólogo do Vaqueiro”, em homenagem ao nascimento do príncipe D. João, futuro D. João III.

Gil Vicente. Ilustração: via Wikimedia Commons

Embora tenha vivido em pleno Renascimento, Gil Vicente não se deixou afetar pelas concepções humanísticas do período, retratando, por meio de suas peças, os valores populares e cristãos da vida medieval. Seu teatro é caracterizado como primitivo e popular, embora tenha surgido no ambiente da corte, com a finalidade de servir ao entretenimento nos serões oferecidos ao rei. A produção de Gil Vicente também se deu por meio de poemas ao estilo das cantigas dos Trovadores medievais.

São atribuídas ao dramaturgo lusitano mais de quarenta peças, algumas em espanhol e muitas em português, onde criticava impiedosamente toda a sociedade de seu tempo. O valor do teatro vicentino encontra-se na sátira, muitas vezes agressiva, contrabalançada pelo pensamento oriundo da religiosidade cristã predominante à época. Sua obra é rica pela universalidade dos temas e pelo lirismo poético que soube colocar na arte, em plena atmosfera renascentista.

Constata-se que de sua observação satírica ninguém escapava: papa, rei, clero feiticeiras, alcoviteiras, judeus, moças casadoras e agiotas. Vários tipos foram ridicularizados: a imperícia dos médicos - “Farsa dos Físicos”, a prática das feiticeiras - “Auto das Fadas”, o comportamento do clero – “O Clérigo da Beira”, entre outros.

De acordo com o assunto abordado, a obra de Gil Vicente pode ser classificada em três fases: na primeira fase, (1502-1508), com influência espanhola de Juan del Encina, o autor apresenta peças que possuem um conteúdo religioso, entre elas: “Auto da Visitação”, “Auto Pastoral Castelhano”, “Auto de São Martinho” e “Auto dos Reis Magos”.

Na segunda fase, (1508-1516), a sátira social apresenta ampla visão da sociedade da época, a arte possui uma linguagem ferina, e adquire caráter mais pessoal, são dessa época suas obras-primas: “Quem Tem Farelos?”, “Auto da Índia” e “Exortação da Guerra”.

A terceira fase (1516-1536) atinge sua maturidade intelectual. Aparece, ao lado da crítica de costumes, atitudes moralizantes de caráter medieval. São dessa época as melhores obras teatrais da Literatura Portuguesa: “Farsa de Inês Pereira”, “Auto da Beira”, “O Clérigo da Beira”, “Auto da Lusitânia”, “Comédia do Viúvo”, “Trilogia das Barcas” (Auto das Barcas do Inferno, Auto da Barca do Purgatório e Auto da Barca da Glória) e “A Floresta dos Enganos” de 1536, sua última obra.

Bibliografia:

https://www.ebiografia.com/gil_vicente/

http://www.iea.usp.br/pessoas/CurriculumVitaeGilVicenteAPessoa.pdf

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