Herman Melville

Foi com o pseudônimo de L.A.V. que Herman Melville publicou, em 1839 uma composição intitulada Fragmentos Literários de uma Escrivaninha, trabalho com inclinações românticas e de cunho simples e um estilo ainda indefinido. Essa publicação não trouxe a Melville uma crítica positiva e resolve abandonar a cidade e o pseudônimo.

Assim, aos vinte anos e sem muitas perspectivas, no mesmo ano, é empregado, graças a seu irmão mais velho, no navio ‘St. Lawrence’, no qual embarca rumo a Liverpool. Anos mais tarde (1849) contaria no livro Redburn a decepcionante experiência dessa viagem em relação aos marujos grosseiros e a exaustão da vida a bordo.

Volta à sua Nova York natal, consegue aulas em um colégio que encerra as atividades algum tempo depois, vai para Albany para outro colégio, tenta a sorte no oeste e no final de 1840 retorna a Nova York, sem nenhum dinheiro o que o faz embarcar em um navio baleeiro. Observa aí aos arpoadores, especializados na caça à baleia, usarem arpões manuais o que não garantia a vitória na caça, pois o animal ferido podia ir-se pelo oceano. Outras, feridas de morte, eram atravessadas pela lança inúmeras vezes. Seu óleo era extraído ali mesmo no navio.

Toda essa experiência da luta dos homens contra a baleia calou fundo no espírito de Melville. Em julho de 1842 desembarca com um amigo na ilha de Nuku-Hiva e após ser abandonado por este, e com a perna ferida é resgatado um mês depois pelo Lucy Ann, um baleeiro australiano. As peripécias nesse navio, e a descrição do modo de vida dos nativos da ilha resultam no livro Typee, uma reportagem narrativa. Das experiências vividas em Papeete, no Taiti, após desembarcar do Lucy Ann, são revividas em seu livro Omoo em 1847.

Por conta das disputas entre ingleses, franceses e americanos sobre o Havaí e o Taiti, faziam os Estados Unidos manterem destacamento naval na primeira, o que incentivou Melville a alistar-se na marinha americana, e manter-se disciplinado para livrar-se dos castigos corporais infligido aos marinheiros e poder devorar os livros da biblioteca de bordo e escrever em 1850, White Jacket relatando o ambiente disciplinar muito rígido. No ano seguinte, na placidez da fazenda comprada em Pittsfield, ao lado da esposa e dos filhos, termina a história baseada nas experiências vividas no baleeiro Acushnet, contando as aventuras do Capitão Acab, louco de dor e solidão, comandante do baleeiro Pequod contra a baleia branca Moby Dick, obra recebida pela crítica como romance superficial.

Sua obra, pouco entendida na época pelo público em geral, compreende ainda Pierre ou as Ambigüidades, Benito Cereno, Contos da Praça, Homem-Confidência, Diário dos Estreitos, Do Alto de uma Casa, Réquiem, Clarel, Billy Bud.

Sua morte ocorrida a 28 de setembro de 1891 não foi publicada em nenhum jornal da época.

Bibliografia:
Os imortais da Literatura Universal. v. 3. São Paulo: Abril, 1972.

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