Hieronymus Bosch

Mestre em História da Arte (Unicamp, 2019)
Bacharel e licenciado em História (USP, 2004)

Hieronymus Bosch nasceu em 1450, na cidade de s-Hertogenbosch (também conhecida como Bois-Le-Duc em francês), na região do Brabante, na atual Holanda. Sua família era oriunda da Alemanha, da cidade Aachen (a antiga capital do Império carolíngio – Aix-la-Chapelle) como assinala o nome de seu pai, Antonius van Aken e de seu avô, Jan van Aken, ambos pintores.

Autorretrato de Hieronymus Bosch.

As fontes sobre Hieronymus Bosch são escassas, não havendo cartas ou escritos que ele tenha deixado, no entanto, seu nome aparece nos livros de contas da Confraria de Nossa Senhora, que era existente na cidade desde 1318, vinculada a devoção de uma imagem milagrosa de Maria presente na igreja de São João e reunia entre seus devotos homens e mulheres da região norte dos Países-Baixos e da régio da Westfália na Alemanha.

Entre 1479 e 1481, Bosch se casou com Aleyt Goyaerts van den Meervenne, uma mulher um pouco mais velha que ele e dotada de certa fortuna, originária de uma família da região do Brabante.

Nos registros da Confraria de Nossa Senhora, consta pela primeira vez seu nome por volta de 1486-87, relativo aos trabalhos artísticos como o douramento e pintura de entalhes de madeira de imagens dos santos presentes naquela igreja, entre outros trabalhos executados em conjunto com seu pai Antonius.

Já a partir de 1481, constam vários trabalhos direcionados a Hieronymus, a se destacar; a pintura de um vitral para a nova capela da Confraria em 1493-94; um crucifixo em 1511-13 e um candelabro em 1512-13.

No âmbito do poder civil, o duque de Borgonha, Felipe, o Belo, encomendou em 1504, um retábulo que deveria apresentar como temas o Juízo Final, o Paraíso e o Inferno, com o tamanho de 2 metros de altura e 3 metros de largura, a qual hoje se encontra desaparecida, sendo que alguns especialistas apontam uma parte remanescente no acervo da Alte Pinakothek de Munique.

A produção artística de Hieronymus Bosch foi significativa em quantidade, porém existem obras que lhe são apenas atribuídas e outras de atribuição controversa, sendo estas últimas possíveis trabalhos de discípulos ou mesmo algumas imitações produzidas por outros pintores contemporâneos a Bosch.

De sua autoria confirmada estão A adoração dos Magos (1490-1500), O jardim das Delícias (1495-1505) e O carro de feno (1500-1516) no Museu do Prado em Madrid; A nau dos loucos (1500-1510) no Louvre em Paris; Jesus carregando a cruz (1490-1510) no Museu de História da Arte de Viena e outro de mesmo tema datado de 1495-1505 no Mosteiro de San Lorenzo del Escorial; As tentações de Santo Antão (1498-1503) no Museu de Arte Antiga de Lisboa, cujo estudo datado de 1495-1500, encontra-se no Museu de Arte de São Paulo (MASP).

O Jardim das Delícias, óleo sobre madeira. 1504. Hieronymus Bosch

Hieronymus Bosch faleceu em 09 de agosto de 1516, recebendo uma missa solene na capela da Confraria de Nossa Senhora. Apesar do silêncio das fontes que falem mais detalhadamente sobre a vida de Bosch, sua obra foi dotada de uma eloquência relevante, seja para sua época, seja para a posteridade. Gerações de pintores, no exercício da imaginação dos dilemas e dramas da Humanidade, como as vanguardas artísticas do século XX, atestam sua influência para a pintura surrealista, especialmente, os trabalhos dos catalães Salvador Dalí e Joan Miró, entre outros, abriu uma discussão sobre o imaginário fantástico oriundo da tradição medieval e das novas tensões e crises do homem que vivenciava a modernidade do século XX.

A Adoração dos Reis Magos – Hieronymus Bosch, c. 1495.

Fontes:

BOSING, Walter. A obra de pintura de Hieronymus Bosch. Edições Taschen, 2002.

GOMBRICH, Ernst. História da Arte. Rio de Janeiro: Editora LTC, 16ª edição.

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