João Antonio

Mestre em Ciências Humanas (CEFETRJ, 2014)
Especialista em Linguística, Letras e Artes (CEFETRJ, 2013)
Graduada em Letras - Literatura e Língua Portuguesa (UFRJ, 2011)

João Antônio Ferreira Filho foi um jornalista e escritor brasileiro nascido em São Paulo em 27 de Janeiro de 1927 e falecido no Rio de Janeiro em 31 de Outubro de 1996, que ganhou notoriedade ao criar o conto-reportagem na forma de fazer jornalismo no Brasil e ficou conhecido por retratar em seus escritos trabalhadores das periferias dos grandes centros urbanos brasileiros.

Nascido no subúrbio de São Paulo, em uma família de comerciantes, João Antônio trabalhou em empregos sub-remunerados até 1963, data da publicação de seu primeiro livro, “Malagueta, Perus e Bacanaço”, um enorme sucesso imediato de público muito bem aceito pela crítica. A consagração da primeira obra do autor foi tal que a estreia já lhe rendeu prêmios, tais como o Jabuti, sendo esta uma dupla premiação – autor revelação e melhor livro de contos -, além do prêmio Fábio Prado e do Prêmio da Prefeitura Municipal de São Paulo.

Além das premiações, também a história desta primeira obra de estreia chama a atenção. No ano de 1960, um incêndio destruiu casa da família de João Antônio, deixando a todos somente com a roupa do corpo e destruindo os escritos originais. Na Biblioteca Municipal Mário de Andrade, o autor reescreveu da própria memória todos os contos como se recordava e daí nasceu a publicação em livro aclamado e premiado.

Fazendo o caminho contrário de grande parte dos autores que começam a carreira como jornalistas e cronistas escrevendo em jornais e editoras de revistas para somente depois dedicar-se à literatura, João Antônio passou a se ocupar também da atividade jornalística após seu enorme sucesso literário. Participou da fundação da revista “Realidade”, veículo no qual inaugurou, em 1968, o conto-reportagem no jornalismo brasileiro com “Um dia no cais”. Atuou também na Manchete e no O Pasquim e em diversos outros veículos que se colocavam em oposição ao regime da ditadura militar da época.

No final da década de 1960, o autor passa a adotar um visual mais simples e despojado, vestindo bermuda e sandálias, vende seu carro, separa-se da esposa, deixa o emprego e recusa-se a participar de grupos do círculo literário, tudo para se dedicar inteiramente à literatura. Adota, assim, uma vida mais próxima da marginalidade vivida por seus personagens. Apesar da produção literária intensa, recusa-se a participar de eventos e de cerimônias, aceitando somente participar de palestras com alunos e professores em escolas e universidades.

As mudanças atingem também os temas de sua obra. Até então, o autor nutria repulsa pela classe média e seu interesse se concentrava na parcela marginalizada da sociedade brasileira, nos excluídos, na população abandonada nas áreas periféricas dos centros urbanos e nos rincões do país. Em “Abraçado ao meu rancor” (1986), João Antônio trata de temas da classe média, apresentando duras críticas. Nesta época, o autor morava em Copacabana, abraçado ao seu rancor vivendo em meio à classe média carioca.

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