João Baracho

Assassinos famosos como Zodíaco e Sam aterrorizaram os Estados Unidos no século XX. Neste mesmo período, no Brasil, o Bandido da Luz Vermelha roubava as mansões da cidade de São Paulo e assassinava pessoas nas últimas horas da madrugada. Como característica comum, esses matadores tinham o hábito de cometer seus crimes na calada da noite, amedrontando populações e confundindo a polícia por muito tempo. Um caso típico deste grupo de criminosos é João Baracho, um dos bandidos mais conhecidos da crônica policial da cidade de Natal, no Rio Grande do Norte.

Assim como os outros assassinos citados, Baracho assaltava e matava pelas ruas potiguares em período noturno. Suas vítimas eram trabalhadores da noite como, principalmente os taxistas. O criminoso agiu por aproximadamente dois anos, quando chamadas e denúncias atribuíam todos os crimes a ele. Perseguido pela polícia durante muito tempo, o bandido foi preso algumas vezes, mas sempre conseguia escapar e se escondia nas cidades de  São José do Mipibu e Monte Alegre.

As noites em que ocorriam os ataques de Baracho fizeram Natal viver dias de medo. Os homens que se arriscavam a sair na rua portavam facas e armas na cintura, mas a maioria das famílias trancava-se dentro de casa e não abria as portas até que o dia amanhecesse. Após algum tempo, no mês de abril de 1962, João Baracho, que estava preso, conseguiu serrar a cela de uma delegacia e se desvencilhar de seis policiais. O assassino ganhava novamente a liberdade, mas não seria por muito tempo.

A polícia ficou alerta, pois sabia que nas próximas noites, após a fuga de Baracho, os roubos seguidos de assassinatos voltariam a ocorrer. Então, os oficiais fecharam o cerco em um bairro chamado Carrasco, onde sabiam que Baracho estava. O criminoso foi morto naquele local em uma manhã do mês de abril. De acordo com a versão de alguns policiais, antes de ser morto, o bandido pediu abrigo a uma moradora da região. Após entrar, pediu água para a mulher, mas ela recusou o pedido. Além disso, conseguiu entregar Baracho à polícia. No confronto com os policiais, o assassino levou mais de trinta tiros e acabou morrendo.

Deste episódio nasceu um ritual que ocorre todos os anos no cemitério do Bom Pastor, em que Baracho foi enterrado. Ao visitar o túmulo do bandido, simpatizantes do criminoso levam-lhe recipientes com água, além de flores, velas, braços e pernas de madeira. Alguns até mesmo consideram Baracho um santo, pois atribuem a ele a realização de alguns milagres. Na região, algumas pessoas acreditam que o bandido d’água conseguiu ir pra o céu por ter morrido com sede.

Fontes:
http://portalbo.com/materia/Joao-Baracho-o-bandido-que-morreu-com-sede-e-virou-santo
http://sargentosandra.blogspot.com.br/2011_08_01_archive.html
http://www.abhr.org.br/plura/ojs/index.php/plura/article/view/33/pdf_5

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