Ludwig Wittgenstein

Ludwig Joseph Johann Wittgenstein, um dos principais filósofos modernos do século XX, estudioso da matemática, membro do Círculo de Viena, inovador da história da Lógica nos anos 20, respeitado até hoje como um dos criadores da filosofia analítica, nasceu na cidade de Viena, na Áustria, no dia 26 de abril de 1889, fruto da união entre Karl e Leopoldine Wittgenstein. Caçula de uma prole de oito filhos, ele era neto de Hermann Christian e Fanny Wittgenstein, de procedência judaica, mas depois convertidos ao Protestantismo. Do lado materno também havia a presença do judaísmo, mas Leopoldine foi criada segundo os parâmetros do catolicismo, adotados igualmente na educação de seus filhos.

Sua formação se deu em uma atmosfera propícia ao desenvolvimento artístico e intelectual, pois seus pais devotavam-se apaixonadamente à música, transmitindo aos filhos esta paixão. Seu pai chegou a atuar como um mecenas na Áustria de então, abrindo suas portas para a freqüência de vários artistas conhecidos, entre eles Johannes Brahms e Gustav Mahler. Este ambiente marcou positivamente o filósofo, embora ele não demonstrasse nenhuma tendência musical. Seus textos são povoados por símbolos e alegorias referentes à música. Esta sensibilidade exacerbada provocou igualmente nesta família uma inclinação negativa para a melancolia e até mesmo para o suicídio, o que levou três dos irmãos de Ludwig a praticarem este ato. Outra triste coincidência foi este grande pensador ter estudado junto com Adolf Hitler na Realschule, durante a adolescência.

Pertencente a uma das mais afortunadas famílias austríacas, ele revelou desde cedo sua inclinação para o universo da lógica, ingressando nos cursos de engenharia de Berlim e Manchester. Entre 1912 e 1913 ele investigou mais profundamente a Matemática, ao lado de Bertrand Russel, devotando-se a prosseguir estes estudos posteriormente na Noruega. Ele também influenciou as esferas da filosofia da linguagem e da epistemologia, entre outros campos acadêmicos. Grande parte de sua obra foi lançada depois de sua morte, mas na busca da solução para os problemas filosóficos, ele produziu ainda em vida o Tratado Lógico-Filosófico, ou Tractatus Logico-Philosophicus, lançado em 1921 no idioma alemão, e vertido para o inglês um ano depois.

Seus escritos iniciais foram inspirados pelos conceitos de Arthur Schopenhauer, bem como pelas recentes elaborações lógicas de Bertrand Russel e Gottlob Frege. Por sua vez, o Tractatus marcou intensamente as idéias predominantes no Círculo de Viena, em seu positivismo pontuado pela lógica. O filósofo tinha a ambição de encontrar respostas definitivas para as questões filosóficas e, ao publicar seu livro, acreditou realmente ter atingido sua meta, dedicando-se então à educação em escolas primárias nos vilarejos carentes da Áustria, servindo também em um mosteiro como simples jardineiro. Esta decisão nasceu provavelmente da mensagem cristã transmitida pelo amigo Leon Tolstoi, o qual encontrara ao longo da Primeira Guerra.

Ludwig perde seu pai em 1913, tornando-se seu herdeiro, mas logo se despoja destes bens, oferecendo boa parte dela a diversos artistas e escritores de sua terra natal, entre eles o poeta alemão Rainer Maria Rilke e Georg Trakl, que se suicida sem conhecer seu protetor. Com o início da Primeira Guerra, em 1914, ele passa a servir voluntariamente no exército austríaco, chegando a combater no front da Rússia e na Itália, conquistando vários prêmios por sua coragem. Ele realiza neste período uma espécie de diário, onde anota seus pensamentos, suas crenças, e a leitura destas páginas revela uma intensa transformação em sua ideologia espiritual – de adepto ao ateísmo em sua estadia na cidade de Cambridge, ele se torna cristão por inspiração de Tolstoi. Em 1918 ele cai prisioneiro na Itália, mas é liberado um ano depois. É neste momento que o pensador começa a escrever sua grande obra, o Tractatus.

Em 1929 ele retoma sua vida acadêmica em Cambridge, concluindo seu doutorado e devotando-se a elaborar uma seqüência de seu livro, pois então ele se dá conta de que não conseguiu resolver os intrincados desafios filosóficos. Ele parte, assim, para o que se convencionou chamar de anti-filosofia, da qual resulta sua obra Investigações Filosóficas, só publicada depois de sua morte, em 1953. Alguns estudiosos classificam este trabalho como pertencente a uma etapa denominada de ‘Novo Wittgenstein’, em contraposição ao ‘Wittgenstein Primeiro’. Nas duas fases, porém, ele foi marcado pelos princípios da filosofia analítica.

Durante a Segunda Guerra, Wittgenstein e seus familiares são amplamente perseguidos, em consequência de seu passado judaico, sendo destituídos de boa parte de sua fortuna. Em 1939 o filósofo decide assumir uma cidadania britânica, tomando posse de uma cátedra em Cambridge, mas deixa seu posto com o final da Guerra. Nesta época ele se divide entre a Irlanda, Oxford e Cambridge. Ele morre na residência de seu médico e grande amigo, Dr. Bevan, no dia 29 de abril de 1951, na cidade de Cambridge.

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