María Corina Machado (Caracas, 7 de outubro de 1967) é uma engenheira e política venezuelana, principal líder da oposição ao chavismo e vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025. Fundadora do movimento Vente Venezuela, foi impedida de disputar a eleição presidencial de 2024 e passou mais de um ano na clandestinidade. Em 25 de outubro de 2026, voltou à Venezuela, que desde janeiro é governada interinamente por Delcy Rodríguez após a captura de Nicolás Maduro por forças americanas.

World Economic Forum / María Corina Machado. Fonte. Licença: CC BY-SA 2.0
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Origem e formação
Machado nasceu em Caracas, em uma família de empresários do setor siderúrgico. Formou-se em engenharia industrial pela Universidade Católica Andrés Bello e fez mestrado em finanças no Instituto de Estudos Superiores de Administração (IESA), na capital venezuelana. Antes da política, trabalhou no setor privado e criou uma fundação de apoio a crianças de rua.
Trajetória política
Ela entrou na vida pública em 2002, ao fundar a Súmate, associação civil de monitoramento eleitoral que organizou a coleta de assinaturas para o referendo revogatório contra o presidente Hugo Chávez em 2004. O governo acusou a entidade de receber recursos dos Estados Unidos, e Machado chegou a ser processada por conspiração, acusação que ela sempre negou.
Em 2010, foi eleita deputada à Assembleia Nacional com votação recorde. Ficou conhecida por confrontar Chávez diretamente em plenário, em 2012, quando o acusou de expropriar empresas. No mesmo ano, fundou o partido liberal Vente Venezuela. Em 2014, após participar de uma sessão da Organização dos Estados Americanos (OEA) a convite do Panamá, teve o mandato cassado pela direção da Assembleia, então controlada pelo chavismo.
Durante os protestos de 2014 e de 2017 contra o governo de Nicolás Maduro, sucessor de Chávez, ela foi uma das vozes mais duras da oposição, defendendo a saída do presidente e rejeitando negociações que considerava inúteis. Para entender o contexto, vale ler sobre o governo de Hugo Chávez e a história da Venezuela.
Eleição de 2024
Em outubro de 2023, Machado venceu as primárias da oposição com mais de 90% dos votos. No entanto, a Controladoria-Geral da República manteve uma inabilitação que a impedia de ocupar cargos públicos por 15 anos, decisão confirmada pelo Tribunal Supremo de Justiça. Sem poder concorrer, ela apoiou o diplomata Edmundo González Urrutia.
Após a eleição de julho de 2024, o Conselho Nacional Eleitoral declarou Maduro vencedor sem divulgar as atas detalhadas por seção. A oposição publicou cópias das atas que, segundo ela, mostravam vitória clara de González. Vários governos estrangeiros não reconheceram o resultado oficial. Diante da repressão, González se exilou na Espanha, e Machado passou a viver escondida dentro do país.
Prêmio Nobel da Paz
Em outubro de 2025, o Comitê Norueguês do Nobel concedeu a ela o Prêmio Nobel da Paz, por sua luta pela transição pacífica da ditadura para a democracia na Venezuela. Na cerimônia de 10 de dezembro, em Oslo, a filha Ana Corina Sosa recebeu o prêmio em seu nome. A própria Machado chegou à capital norueguesa horas depois, após deixar a Venezuela clandestinamente, e fez ali sua primeira aparição pública em mais de um ano.
A premiação dividiu opiniões. Apoiadores a viram como reconhecimento da resistência democrática; críticos lembraram que ela apoiou a pressão militar dos Estados Unidos contra o governo Maduro e dedicou o prêmio, em parte, ao presidente Donald Trump.
Queda de Maduro e retorno ao país
Em 3 de janeiro de 2026, uma operação militar americana capturou Nicolás Maduro, que passou a responder nos Estados Unidos a acusações de narcotráfico, as quais nega. A vice Delcy Rodríguez assumiu a presidência de forma interina e manteve boa parte da estrutura chavista no poder, com o apoio pragmático de Washington.
Machado permaneceu cerca de dez meses no exterior e teve várias tentativas de retorno frustradas. Segundo a Reuters, citada pelo g1, ela voltou à Venezuela no domingo, 25 de outubro de 2026. Em suas primeiras declarações públicas, em 29 de outubro, afirmou que o secretário de Estado americano, Marco Rubio, apresentou uma sequência de etapas para a transição "deixando claro que as eleições presidenciais serão realizadas em 2027". O Departamento de Estado não comentou de imediato.
A volta pode gerar atritos, já que os Estados Unidos apoiam negociações entre o governo interino e grupos de oposição que não incluem o Vente Venezuela. Machado defendeu reformas no conselho eleitoral, a libertação de presos políticos, uma comissão da verdade e um acordo com o FMI.
Vida pessoal
Machado é divorciada e tem três filhos, que vivem fora da Venezuela desde a escalada da perseguição política contra a família.
Referências
- María Corina Machado diz que EUA sugeriram eleições presidenciais na Venezuela em 2027 – g1, 29/10/2026
- María Corina Machado – Facts – NobelPrize.org
- The Nobel Peace Prize 2025 – Press release – NobelPrize.org
- María Corina Machado: Nobel Peace Prize winner's daughter accepts award on her behalf – BBC News
- EUA propõem eleições na Venezuela para 2027, diz María Corina Machado – CNN Brasil, 29/10/2026
Texto originalmente publicado em https://www.infoescola.com/biografias/maria-corina-machado/