Maria Quitéria

Figuras populares do Brasil foram imortalizadas na memória nacional. Muitas delas ficaram marcadamente notáveis durante a Guerra da Independência do Brasil (1821-1824). Entre estas personalidades, destacou-se Maria Quitéria, uma baiana de Feira de Santana. Ela foi considerada a mais importante guerreira do conflito independentista contra a monarquia Portuguesa.

Para conseguir se alistar entre os voluntários na guerra, Maria Quitéria pediu o consentimento do pai. Porém teve uma negativa como resposta. Ela interveio dizendo que manejava armas muito bem e que pretendia ir disfarçada àquela “tão justa guerra” para defender a pátria. Mas seu pai manteve a opinião inicial, afirmando que mulheres teciam, bordavam e fiavam, mas não guerreavam.

Maria Quitéria, em obra pintada por Domenico Failutti, 1920.

Entretanto, com auxílio da irmã, Maria Quitéria disfarçou-se com as roupas do cunhado. Então tentou a sorte como voluntária do Regimento de Artilharia utilizando o nome de soldado Medeiros. Ela conseguiu adentrar o agrupamento do Batalhão de Voluntários do Príncipe, conhecido também como Batalhão dos Periquitos devido à gola e aos punhos verdes da indumentária. Junto a este grupo militar, Maria Quitéria foi combatente entre o final de 1822 até julho de 1823.

Esta aventura de Maria Quitéria lembra bastante a história da guerreira chinesa Mulan, que também vestiu-se de homem para lutar. A destreza da militar brasileira era notável, mas sua identidade acabou sendo revelada. No entanto, os combatentes brasileiros fizeram coro para que ela continuasse guerreando. Este intento foi prontamente atendido, e ela se manteve na tropa vestindo uma saia escocesa em vez da farda.

Maria Quitéria participou dos combates mais importantes da Guerra da Independência. Destacou-se nas batalhas da ilha de Maré, Conceição, Pituba e Itapuã. Foi considerada como uma peça fundamental no conflito na foz do Rio Paraguaçu e também no combate da Pituba. Neste confronto, atacou uma trincheira de monarquistas, da qual voltou com prisioneiros, os quais escoltou sozinha de volta ao acampamento.

Ainda durante a guerra, foi elevada ao posto de Primeiro Cadete, um cargo importante na hierarquia militar brasileira. Em julho do ano de 1823, Maria Quitéria adentrou Salvador junto ao Exército Libertador. Junto aos outros combatentes, ela foi festejada por uma celebração do povo baiano.

Condecoração

Em 1823, depois da chegada do Exército Pacificador na cidade de Salvador, o comandante enviou uma carta oficial para a Secretaria da Guerra. Neste documento, informava os feitos de Maria Quitéria durante os combates, destacando sua atuação extraordinária e o seu nacionalismo. O objetivo era imortalizar os feitos da heroína brasileira.

Após o término do confronto, Maria Quitéria foi condecorada por D. Pedro I com a Imperial Ordem do Cruzeiro, a insígnia máxima que um brasileiro poderia obter naquele período. Ela foi até o Rio de Janeiro para ter uma audiência pessoalmente junto ao imperador. Afora a condecoração, a jovem Maria – como também era conhecida, ou a “soldado Medeiros” – teve cerimônia imperial noticiada no veículo principal do Império, o Diário do Governo.

Vida posterior

Casou-se, teve uma filha e passou o restante de sua jornada no anonimato. Ao final da vida, Maria Quitéria ficou cega e herdou alguns bens deixados pelo pai. Em 21 de agosto de 1852 ela faleceu, sendo enterrada da igreja da freguesia Santana do Sacramento.

Homenagens

Devido ao seu destaque na História do Brasil, Maria Quitéria recebeu diversos tributos póstumos. Teve seu nome homenageado em uma medalha militar e em uma placa da Câmara Municipal da cidade de Salvador. Para fazer distinção de personalidades reconhecidamente participativas, criou-se a comenda Maria Quitéria em Feira de Santana.

Talvez uma dos preitos mais importantes em relação à cadete seja o monumento erguido também em Feira de Santana. A estátua, com a mulher em posição de ataque, simboliza sua posição de enfrentamento não somente perante a guerra, mas também perante a vida. A escultura fica localizada no cruzamento da avenida Maria Quitéria com a avenida Getúlio Vargas.

Estátua de Maria Quitéria em Salvador. Foto: Joa Souza / Shutterstock.com

Fontes:

RIBEIRO, Carlos Leite. MARIA QUITÉRIA. Disponível em: http://portalcaestamosnos.blogspot.com/2012/07/maria-quiteria.html. Acesso em 18 de julho de 2020.

http://200.187.16.144:8080/jspui/bitstream/bv2julho/840/1/RM_n02_Maria%20Quit%C3%A9ria.pdf

http://www.academiacearensedeletras.org.br/revista/revistas/1954/ACL_1954_25_Maria_Quiteria_de_Jesus_Heroina_Brasileira_Henriqueta_Galeno.pdf

http://minutonordeste.com.br/noticia/a-heroina-da-independencia-maria-quiteria/2646

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