Microevolução

Mestre em Ecologia e Evolução (Unifesp, 2015)
Graduada em Ciências Biológicas (Unifesp, 2013)

Podemos chamar de evolução o processo de descendência com modificação pelo qual os organismos que conhecemos hoje se desenvolveram a partir de seus ancestrais. Mas, se pudéssemos “enxergar” este processo mais de perto, veríamos que a evolução em sua menor escala consiste na mudança na frequência de alelos na população ao longo das gerações. A evolução vista dessa forma mais restrita é a chamada microevolução.

A matéria prima para que a evolução ocorra é a variabilidade genética e os principais mecanismos evolutivos são a seleção natural, a deriva genética e o fluxo gênico. Cada um deles implica em efeitos diferentes no conjunto de genes da população.

Variabilidade genética

Os organismos de uma população variam em diversas características observáveis e, geralmente, elas refletem a variação nos genes. As fontes primárias para tais variações são a mutação – mudanças na sequência de nucleotídeos do DNA – e a reprodução sexuada – quando os genes existentes são arranjados de novas formas.

Seleção natural

A seleção natural é o mais conhecido dos mecanismos evolutivos. Ela atua diretamente sobre as características fenotípicas dos organismos e indiretamente nos genes – aumentando a frequência dos alelos que conferem vantagem adaptativa e diminuindo os alelos desvantajosos. Este é o único mecanismo evolutivo que explica as adaptações existentes na natureza de maneira consistente. Mas é importante ressaltar que, embora a seleção natural leve à evolução adaptativa e não seja um processo aleatório, ela não tem nenhum propósito ou objetivo, mas apenas seleciona entre as variações existentes na população.

Deriva genética

Diferentemente da seleção natural, que favorece ou desfavorece determinados alelos de acordo com seu valor adaptativo, a deriva genética ocorre completamente ao acaso. Ela consiste em eventos aleatórios que levam à mudança da frequência de alelos ao longo do tempo. Imagine que uma tempestade leve parte de uma população para uma ilha isolada de onde ocorre a população original. Certamente a composição genética dessa nova população não refletirá a da população de origem. Este fenômeno se chama efeito fundador. Outra situação é o efeito gargalo, quando o tamanho de uma população diminui drasticamente – em razão de desastres naturais, por exemplo – eliminando indivíduos ao acaso. Ou mesmo, ainda que nenhum evento atípico ocorra, a diversidade genética de uma população muda a cada geração por mero acaso, já que as combinações de genes herdados dos pais são únicas.

Fluxo gênico

O fluxo gênico também pode modificar as frequências alélicas de uma população ao longo das gerações. Ele consiste na troca de genes entre populações. Assim, variações genéticas que não existiam numa determinada população podem ser introduzidas por meio da imigração. Da mesma forma, populações podem perder variação genética através da emigração.

Exemplo

Suponha que você, ao analisar uma população de ave isolada numa ilha, constate que a proporção de genes responsáveis pelo tamanho do bico seja de 20% para o gene do bico grande e 80% para o gene para o bico pequeno. Dois anos depois, você retorna e observa que a proporção dos genes responsáveis pelo bico grande aumentou. Este padrão mostra que a microevolução ocorreu – a frequência dos alelos mudou entre as gerações daquela população num curto período de tempo. Porém, a espécie como um todo continua exibindo as mesmas variações fenotípicas, sem mudanças observáveis. As transformações notáveis que uma espécie sofre ao longo do tempo evolutivo seriam o foco de estudos macroevolutivos.

Referências:

Entendendo a Evolução. IB-USP

Reece, Jane B. et al. Biologia de Campbell. 10ª Edição. Porto Alegre: Artmed. 2015.

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