Sistema endócrino

Mestre em Ecologia e Recursos Naturais (UFSCAR, 2019)
Bacharel em Ciências Biológicas (UNIFESP, 2015)

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O sistema endócrino é responsável pela comunicação do sistema nervoso com os demais tecidos corporais através do controle de funções utilizando hormônios, substancias químicas que são reconhecidas pelos tecidos-alvo e que são carreadas pela circulação. O sistema endócrino é encontrado em diferentes graus de complexidade em todos os animais que apresentam sistema nervoso, sendo organizado em glândulas específicas nos vertebrados.

Glândulas do sistema endócrino

As principais glândulas deste sistema, presentes em humanos e na maior parte dos vertebrados, são a hipófise (ou pituitária), a pineal, a tireoide, as paratireoides, as suprarrenais (ou adrenal) e as gônadas (ovário nas fêmeas e testículos nos machos). A glândula hipófise é controlada diretamente pelo hipotálamo, região centro-basal do encéfalo (diencéfalo) que regula o metabolismo e a homeostase através do controle energético do organismo e da manutenção da temperatura corporal. Neste sentido, a região do hipotálamo pode ser considerada o centro de controle do sistema endócrino, gerando o principal caminho de comunicação hormonal do corpo, o eixo hipotalâmico-pituitário-adrenal. Outras estruturas corporais, como os ossos, e órgãos, como o fígado e os rins, tem funções endócrinas secundárias que são relevantes em contextos específicos.

Principais glândulas do sistema endócrino. Ilustração: Designua / Shutterstock (adaptado)

Vale citar o timo, um órgão localizado no tórax próximo ao osso externo que produz o hormônio timosina, estimulando a formação de linfócitos e das defesas imunológicas primárias em crianças e adolescentes. Por desaparecer ao longo da vida adulta não costuma ser listado junto às demais glândulas endócrinas, sendo mais considerado como um órgão linfático.

Hipófise ou Pituitária

A glândula pituitária ou hipófise secreta diversos hormônios, subdivididos em categorias. Com ação sistêmica ou somatotrófica, se destaca a ST (somatotropina), conhecida popularmente como hormônio do crescimento, que atua no desenvolvimento corporal na fase juvenil, mas tem ações importantes durante toda a vida. O hipotálamo controla o estimulo ou a inibição da secreção da ST, que tem como alvo cartilagens e o fígado. Através disso, ele estimula a divisão celular e o crescimento de muitos tecidos. Os hormônios da hipófise categorizados como gonadotróficos são o luteinizante (LH) e o folículo estimulante (FSH). Nas fêmeas o LH estimula a ovulação e o FSH leva a maturação folicular no início do ciclo menstrual. Nos machos o LH estimula a produção de testosterona e o FSH inicia o processo de espermatogênese. Da subcategoria de corticotróficos, a hipófise secreta o ACTH (adrenocorticotrópico) sob influência do hipotálamo para induzir a liberação de cortisol em situações de estresse. O TSH (hormônio tireoideotrópico) tem como alvo a tireoide e atua no estimulo metabólico do corpo. Por fim, da subcategoria de lactotróficos, a pituitária libera a prolactina (PRL), cuja regulação envolve um complexo sistema hormonal corporal e que induz a produção de leite nas glândulas mamárias das fêmeas.

Glândula Pineal

A glândula pineal atua principalmente na secreção de MSH, a melatonina, que regula os ciclos circadianos (como o sono) e estimula a formação de melanócitos na pele, que retardam o processo de envelhecimento. Pessoas ruivas ou com tons de pele mais claros podem apresentar uma variação nos receptores a este hormônio, prejudicando sua resposta hormonal, o que afeta a pigmentação de sua pele.

Tireoide e Paratireoide

A tireoide e a paratireoide, ambas localizadas na base do pescoço, secretam diversos hormônios essenciais, dentre eles a tri-iodotironina (T3), a tiroxina (T4), a calcitocina e o paratormônio. Os hormônios tireóideos têm ação direta no aumento da taxa metabólica, estimulando ossos, músculos e diversos órgãos, como o coração, a captar nutrientes e intensificar a quebra de glicose e gorduras, liberando assim energia que será usada na divisão celular que causa o desenvolvimento e crescimento tecidual. Sua ação durante o desenvolvimento infanto-juvenil é essencial, regulando a maturação do tecido cerebral e auxiliando na manutenção regular de padrões corporais, como do sono. A calcitocina reduz o cálcio circulante no sangue, induzindo seu depósito no tecido ósseo, enquanto o paratormônio (liberado pela paratireoide) tem efeito antagonista, induzindo a liberação de cálcio no sangue e promovendo a absorção de cálcio pelo sistema gastrointestinal.

Glândulas adrenais

As adrenais são as maiores glândulas endócrinas do corpo humano localizadas acima dos rins e são responsáveis pela produção da adrenalina e do esteroide cortisol. Essencial na resposta a estímulos de estresse e situações de perigo, a adrenalina (também denominada epinefrina) tem ação sistêmica, induzindo aumento dos batimentos cardíacos, acelerando a taxa de respiração e comprimindo os vasos sanguíneos periféricos redirecionando mais sangue para os músculos. Já o cortisol causa o aumento da concentração de glicose livre, possibilitando maior capacidade energética nas células, e ocasiona fortes reações anti-inflamatórias no corpo reduzindo a ação do sistema imunológico.

Pâncreas

O pâncreas também atua na regulação da glicose circulante através dos hormônios insulina e glucagon, que reduz e aumenta, respectivamente, os níveis de glicose no sangue.

Testículos e ovários

Por fim, as gônadas estão relacionadas a maturação sexual e desenvolvimento de características sexuais secundárias através da ação da testosterona e andrógeno nos machos e da progesterona e estrógeno nas fêmeas.

Referências:

Pocock, G., Richards, C.D. and Richards, D.A., 2013. Human physiology. Oxford university press.

Pough, F.H., Heiser, J.B. and McFarland, W.N., 2003. A vida dos vertebrados (Vol. 3). São Paulo: Atheneu.

Farwell, A. and Braverman, L., 2001. Endocrinology and metabolism. Italy: McGraw-Hill.