Transmissão comunitária

Graduado em Ciências Biológicas (UNIFESO, 2014)

Transmissão comunitária ou transmissão sustentada é um termo utilizado em epidemiologia para indicar que uma determinada doença infectocontagiosa não pode mais ser rastreada, o pois o agente patogênico da doença em questão já circula entre a população local.

O rastreio das doenças geralmente ocorre quando as autoridades de saúde identificam um surto em alguma localidade. Esses dados epidemiológicos em boa parte dos países são públicos, podendo ser acessados livremente por qualquer um. Quando uma doença entra em estado de surto, outras localidades começam a fazer o acompanhamento das pessoas que chegaram dessa região e todas as outras que tiveram em contato com esses viajantes. Quando esse controle é perdido e as autoridades não conseguem saber a origem da infecção que já ocorre na região e passa a ser caracterizado transmissão comunitária, pois, a doença já faz parte da região, não sendo mais trazida de fora.

Ilustração: Moab Republic / Shutterstock.com

A transmissão comunitária também é muito comum no ambiente hospitalar, pois é alta a circulação de vários tipos de bactérias e outros microrganismos, e quando os próprios profissionais de saúde não tomam os cuidados necessários após terminar de manipular um paciente para depois começar a manipular outro pode ser que as mãos e até mesmo a vestimenta transportem esses agentes patogênicos.

Geralmente as doenças que atingem o patamar de transmissão comunitária tem fácil transmissão na região que se manifesta, levando em consideração o clima da região que faz com que algumas doenças sumam e reapareçam em determinadas estações do ano (doenças sazonais). O estilo de vida da população também influencia, como hábitos alimentares e de higiene. A doença também pode ser carreada por um vetor, que geralmente são animais artrópodes que se reproduzem com maior frequência em épocas mais quentes do ano. Por exemplo, o Aedes aegypti transmite a dengue e zika dentro do Brasil, principalmente no verão.

Além disso, estudos indicam que simples objetos, que muitas das vezes podem ser facilmente compartilhados por várias pessoas que vivem na mesma residência, servem como depósito de alguns microrganismos, como toalhas de banho e rosto, roupas de cama, assentos, carpetes.

Estudar sobre o rastreiro da doença é de suma importância para a prevenção, sendo necessário identificar os doentes para criar medidas para que a doença não seja transmitida para as outras pessoas e nem chegue a uma nova região. Muitas da vezes o enfermo e as pessoas que tiveram contato ele, principalmente as que vivem na mesma residência, precisam de isolamento total e medidas sanitárias com os objetos que manipulam e seus fluidos.

No inicio da pandemia do COVID-19 ficou evidente a importância do rastreio da doença para contenção e o retardamento do grande número de contaminados. Os governos nacionais primeiramente instalaram medidas de segurança sanitárias, como o controle dos passageiros que entram nos seus países aferindo temperatura e sintomas de grupe, e muitos países adotaram o isolamento social fechando estabelecimentos com grandes circulação de pessoas, uso de máscaras, ampla divulgação de medidas como a da lavagem das mãos, para diminuir ou eliminar a transmissão comunitária. Porém, em 20 de março de 2020 o Governo Federal brasileiro declarou a transmissão comunitária da doença no país.

Referencias:

https://www.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/46568-ministerio-da-saude-declara-transmissao-comunitaria-nacional

https://g1.globo.com/bemestar/coronavirus/noticia/2020/03/06/o-que-e-transmissao-local-comunitaria-ou-sustentada-do-coronavirus.ghtml

https://coronavirus.ceara.gov.br/o-que-e-transmissao-comunitaria/

https://ccih.med.br/fatores-de-risco-para-a-transmissao-comunitaria-de-mrsa/

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