Venação foliar

Mestrado em Ciências Biológicas (INPA, 2015)
Graduação em Ciências Biológicas (UFAC, 2013)

Venação foliar se refere à distribuição das nervuras na folha. Estas nervuras podem estar presentes em qualquer outro órgão da planta.

Através do sistema de venação, são distribuídos água e nutrientes para a planta, ao mesmo tempo que os feixes vasculares conferem sustentação ao limbo foliar.

A nervura principal ou primária está localizada no centro do limbo e é a maior em espessura do que as demais nervuras.

Tipicamente na família das mirtáceas e no gênero Anthurium (Araceae), as nervuras secundárias se unem bem próximas a margem da folha conferindo um caracter denominado nervura marginal coletora.

Tradicionalmente as folhas são classificadas quanto o tipo de venação foliar

Peninérveas ou pinatinérveas - ocorrem quando as nervuras secundárias se originam ao longo da nervura primária central de forma regular e espaçada (semelhante a uma pena).

Ex: eucalipto, café, citrus.

Folha de café. Foto: Tanya_mtv / Shutterstock.com

Palminérveas ou digitinérveas - ocorrem quando duas ou mais nervuras primárias laterais se originam na base da lâmina foliar sem convergirem no ápice.

Ex: mamona, mandioca, algumas leguminosas.

Folha de mamona (Ricinus communis). Foto: Sepyan Amulriyono / Shutterstock.com

Trinérveas - ocorrem quando o limbo apresenta três nervuras primárias. É quando há mais de uma nervura primária, de espessura relativamente próxima à da nervura central, que se origina na base da lâmina foliar.

Ex: joazeiro (Ziziphus joazeiro)

Curvinérveas - ocorrem quando as nervuras principais (proeminentes) tem origem em um mesmo ponto na base da lâmina e acompanham a nervura central convergindo no ápice.

Ex: melastomatáceas em geral como o manacá-da-serra, quaresmeira.

Tibouchina Mutabilis. Foto: Sarey Both Uy / Shutterstock.com

Suprabasais - ocorrem quando as nervuras curvinérveas surgem um pouco acima da base do limbo.

Ex: algumas melastomatáceas.

Folha de Medinilla cummingii (Melastomataceae). Foto: Young Swee Ming / Shutterstock.com

Paralelinérveas - ocorrem quando duas ou mais nervuras primárias ou secundárias, de espessamento aproximado, seguem um curso paralelo em relação a nervura primária central em direção ao ápice.

Ex: poaceas de forma geral como a cana-de-açucar, milho e arroz.

Folha de milho. Foto: Sergii Chepulskyi / Shutterstock.com

Peniparalelinérveas - ocorrem quando a nervura principal é bastante proeminente e ao longo desta, surgem nervuras secundárias longas e paralelas entre si.

Ex: bananeira.

Folha de bananeira. Foto: kowition / Shutterstock.com

Enervadas - são folhas que pelo fato de serem do tipo carnosa e portanto espessas, não é possível observar a venação foliar.

Ex: babosa.

Babosa. Foto: mchagas003 / Shutterstock.com

Uninervadas - ocorre na lâmina foliar quando somente a nervura principal pode ser observada.

Ex: casca-d’anta (Drimys angustifolia).

Recente classificação dos tipos de venação foliar

Recentemente uma terminologia mais detalhada tem sido adotada para classificar as folha quanto ao tipo de venação foliar.

As folhas peninérveas são divididas em:

  • Craspedódromas – possuem nervuras secundárias que se estendem até a margem da lâmina sem ramificar (ex: castanha-portuguesa, Castanea sativa).
  • Camptódromas - possuem nervuras secundárias que não se ramificam e não alcançam a margem da lâmina. São um pouco encurvadas ou retas (ex: mangueira – Mangifera indica).
  • Eucamptódroma – este tipo de venação se diferencia da camptódroma por apresentar nervuras secundárias fortemente encurvadas com parte destas curvas acompanhando a margem e convergindo em direção ao ápice (ex: poaia – Richardia brasiliensis).
  • Broquidódroma – as nervuras secundárias formam arcos enlaçados próximo a margem (nervura coletora) (ex: guariuba - Clarisia racemosa).
  • Cladódroma – este tipo de venação se diferencia da camptódroma pelas nervuras secundárias se ramificarem próximo a margem do limbo foliar (ex: chapéu-de-sol, Terminalia catappa).
  • Reticulódroma – possuem as nervuras secundárias pouco marcadas, que se mesclam formando retículos (ex: pera – Pyrus communis).

As folhas palminérveas (podem ter as nervuras primárias basais ou suprabasais) são divididas em:

  • Campilódroma – possuem as nervuras primárias consideravelmente arqueadas e não ramificadas. As nervuras secundárias são pouco evidentes (ex: cará-do-ar, Dioscorea bulbifera).
  • Palinactinódroma – é um tipo de folha palminérvea e possui as nervuras primárias ramificadas próximo da margem do limbo (ex: batata-doce – Ipomoea batatas).
  • Actinódroma – é um tipo de folha palminérvea que possui as nervuras primárias não ramificadas próximo a margem e um pouco encurvadas ao saírem da base da lâmina foliar.

As folhas Curvinérveas são denominadas:

  • Acródromas – possuem as nervuras principais saindo da base ou próxima da base da lâmina. As nervuras secundárias são proeminentes. Também podem ser basais ou suprabasais (ex: pixirica – Clidemina hirta).

As folhas Paralelinérveas são denominadas:

  • Paralelódromas – possuem as nervuras paralelas entre si até alcançarem o ápice (ex: sorgo – Sorghum halepense).

As folhas Uninervadas são denominadas:

  • Hifódromas – apresenta uma única nervura principal (ex: pinheiro-bravo, Podocarpus lambertii).

Referências bibliográficas:

Souza, V. C. et al. (2013). Introdução à botânica: morfologia. São Paulo: Instituto Plantarum de Estudos da Flora.

Ellis, B., D. C. Daly, L. J. Hickey, J. D. Mitchell, K. R. Johnson, P. Wilf, S. L. Wing, 2009. Manual of Leaf Architecture. New York, New York Botanical Garden Press.