Dia da Independência

Licenciatura em História (IFG, 2022)

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Anualmente, comemora-se no dia 07 de setembro o “O Dia da Independência”, nome dado a data histórica em que teoricamente ocorreu a separação e a independência política e administrativa do Brasil (colônia) em relação a Portugal (a metrópole). Nessa data, é comum a realização de grandes desfiles por parte das forças armadas e de alunos das várias escolas militares do país.

O feriado foi estipulado em meados da década de 1940, ou seja, mais de um século após os acontecimentos relacionados à independência do Brasil sobre Portugal (1822), no âmbito do governo do presidente Eurico Gaspar Dutra. Durante seu governo, estipulou-se que o 7 de setembro seria um feriado nacional, em homenagem à independência do país. Pois, essa teria sido para muitos intérpretes da história, o dia da separação política do país, em relação a Portugal, alcançado a sua autonomia como nação soberana.

Outro acontecimento anterior, ainda do final do século XIX, veio a reforçar a identificação desse dia em específico com o a independência da nação: entre os anos de 1886 e 1888, alguns anos após os acontecimentos que levaram a independência, o pintor Pedro Américo, pintou o conhecido quadro denominado de “Independência ou Morte!”. O quadro se transformou na principal representação gráfica do dia consagrado como o dia da independência, ou, o dia em que o país “nasceu”. O quadro representa o momento em que o príncipe D. Pedro I, filho do rei D. João (até então rei do Portugal e Brasil), que ficou no Brasil na condição de regente, dada a ausência do rei, reúne-se com alguns homens às margens do riacho do Ipiranga em São Paulo, e proclama a independência e a separação de ambas nações.

Pintura de Pedro Américo (1888) retrata a declaração da independência do Brasil.

Sobre essa obra de arte e a da data comemorativa, a historiadora Cecília Helena de Salles Oliveira aponta que: “a tela constituía um “documento” não só da arte brasileira como da “cena majestosa do 7 de setembro”. Era um atestado da tangibilidade e da existência objetiva do acontecimento”. Ou seja, o quadro passou a ser visto não como uma obra de arte, com contexto histórico próprio, mas sim, quase que como uma “visualização” do que teria acontecido no dia 07.

As contradições entre a data e o evento que se atribuem a essa data, são indicados por alguns historiadores que apontam que, para as pessoas que viviam na época da independência, essa data em específico, talvez não tivessem significado de fato uma ruptura ou um momento importante para tal ruptura. Tanto é que, na historiografia costumam surgir outras datas e outros acontecimentos, que muitas vezes são apontados como tão ou mais importantes para a Independência.

Retroagindo ao ano da independência, 1822, sabe-se que as elites portuguesas exigiam o retorno do Brasil, que havia até aquele momento se transformado em sede da Coroa portuguesa e se elevado à categoria de Reino Unido á Portugal e Algarves, á condição de colônia sem autonomia alguma. As elites brasileiras, que já eram as maiores contribuintes do Tesouro Real, não aceitaram essa decisão, e passaram a movimentar-se em torno do regente que havia ficado aqui: Pedro I. Um nome expressivo nesse momento foi o de José Bonifácio de Andrada.

No início de 1822, em janeiro, para concretizar o retorno do Brasil á condição de colônia, exigiu-se o retorno de Pedro I pra Portugal, no entanto, apoiado pelas elites nacionais, este recusou-se a voltar, ficando no Brasil. Esse dia foi denominado de “Dia do fico” (09/01/1822). A recusa gerou uma reação em Portugal, que enviou ao Brasil, em setembro do mesmo ano, uma carta informando que a recusa em retornar, levaria á uma invasão militar do Brasil. Teria sido então que, como supracitado acima, às margens do riacho do Ipiranga, Pedro I teria efetuado o famoso “grito do Ipiranga”, aceitando a declaração de guerra e anunciando a independência do Brasil.

Seguiram-se por anos conflitos entre tropas portuguesas e brasileiras, o conflito só se encerraria oficialmente em 1825, com o reconhecimento, por parte de Portugal, da independência do país.

Fontes:

OLIVEIRA, C. H. S. O brado do Ipiranga: apontamentos sobre a obra de Pedro Américo e a configuração da memória da independência. In: MATTOS, C. V.; OLIVEIRA, C. H. S. O Brado do Ipiranga. São Paulo: Edusp; Museu da Universidade de São Paulo, 1999. p. 64 – 65.

FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 1996.