Faroeste

A expressão faroeste nasce da união dos termos ingleses ‘far’, que tem o sentido de ‘distante’, e ‘west’, que indica ‘oeste’, ou ocidente, em algumas interpretações o limite entre a civilização e a área mais remota, não urbana, no contexto da colonização do território norte-americano; em outra análise, uma forma de contrapor o Ocidente esclarecido ao Oriente.

O faroeste, também conhecido como cinema western ou filme de cowboy foi, dos anos 40 à década de 70, mais um instrumento de doutrinação ideológica dos EUA, no período histórico da Guerra Fria, travada entre o bloco capitalista, representado pelos norte-americanos, e a esfera comunista, liderada pela antiga União Soviética. Esta era coincidiu com o ápice da produção cinematográfica deste gênero. Fogem a esta regra os Spaghetti Westerns, de procedência européia, portanto imbuídos de seus próprios ideais.

No Brasil e em Portugal este estilo popularizou-se como ‘faroeste’, um aportuguesamento da expressão inglesa ‘far west’, que também tem sua versão jovial no termo ‘bang-bang’. Toda manifestação artístico-cultural que aborde, ficcionalmente, os eventos ocorridos nesta era cronológica no Oeste norte-americano, é considerada do gênero ‘western’. Esta cultura está presente, além do cinema, nas esculturas, na literatura, nas artes plásticas e nos programas televisivos.

A primeira grande obra cinematográfica a ser caracterizada como ‘western’ foi O Grande Roubo do Trem, uma película de dez minutos veiculada em 1903. Até então eram realizados apenas documentários sobre esta temática. A produção teve um sucesso estrondoso ao ser lançada, pois continha todos os elementos necessários para agradar o público, desde o assalto a um comboio e tiroteios, até assaltantes tentando escapar, montados em seus cavalos. As pessoas ficavam excitadas ao ver as armas apontadas na direção da platéia.

A era de ouro do faroeste americano foi liderada por dois mestres do cinema, John Ford, para muitas pessoas o maior de todos, responsável por sucessos como No Tempo das Diligências, Paixão dos Fortes e o clássico Rastros de Ódio, protagonizado por um dos melhores atores do gênero, John Wayne; e Howard Hawks, diretor de Rio Lobo, El Dorado, entre outros.

Atualmente este estilo cinematográfico encontra-se desgastado pelo tempo. Mesmo assim, a nossa época presenciou o sucesso de produções como Dança dos Lobos, de Kevin Costner, lançada em 1990 e premiada com o Oscar de melhor filme; e Os Imperdoáveis, de 1992, filme dirigido e protagonizado por Clint Eastwood.

O ‘western spaghetti’ também teve seus clássicos, como Era Uma Vez no Oeste, de Sergio Leone, em alguns pontos inspirado por outro grande diretor americano, Fred Zinnemann, principalmente em sua obra Matar ou Morrer. Afirmam os estudiosos que Leone provoca uma ruptura no gênero, transformando-se em um marco divisor; o faroeste é então dividido em antes e depois deste genial diretor. Não há mais a clássica contraposição entre o herói e o vilão, tão frequente nos seus antecessores, mas sim um anti-herói, ou seja, um personagem pago para lutar, interessado apenas na recompensa prometida, enquanto os encarregados de cumprir a justiça, os antigos xerifes, são agora pervertidos pelo veneno da corrupção.

Fontes
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cinema_western
http://www.jorwiki.usp.br/gdnot08/index.php/O_nem_t%C3%A3o_distante_faroeste

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