Queratinócitos

Os queratinócitos, também conhecidos como ceratinócitos, são células diferenciadas que compõem o tecido epitelial e invaginações da epiderme para a derme, como é o caso das unhas e cabelos, responsáveis pela produção de queratina.

Estas são as células mais comumente encontradas na epiderme, representando 80% das células epidérmicas. Os queratinócitos compõem o epitélio estratificado pavimentoso queratinizado que é formado por cinco regiões ou estratos discretos. A primeira região, localizada mais internamente, recebe o nome de camada basal ou estrato basal, que sintetiza constantemente novas células para a epiderme, bem como conecta a epiderme na derme por meio da lâmina basal que ela origina e dos hemidesmossomas fixados a ela.

A camada basal é formada por uma única camada de células-tronco, que pode apresentar formato colunar ou cubóide, e passa por mitose certas vezes com uma das células resultantes contribuindo para o estrato remanescente da epiderme. Estas células estão envolvidas numa produção inicial de tonofilamentos, e alguns dos tonofilamentos estão ligados aos hemidesmossomas que fixam a base da epiderme na derme. Os tonofilamentos formados não estão apenas ligados aos diversos dermossomas que compõem a estrutura de fixação primária de uma célula na outra na epiderme, eles também originam corpos de pré-queratina ou placas que amadurecem na queratina das células de outros estratos.

Os queratinócitos provenientes da camada basal ou germinativa formam a camada espinhosa, que apresenta de uma a três camadas de células espessas na pele pilosa e, certos casos, de quatro a cinco camadas de células espessas em peles desprovidas de pelo (pele glabra), mas podem ser proeminentes nas áreas onde a pela torna-se mais grossa. A principal característica morfológica dessa região é conferida pelos processos celulares espinhosos que estendem para todas as células adjacentes. Cada processo igualmente a um desmossomo deixa esta região da pele altamente resistente a efeitos mecânicos de estiramento e pressão. Os espaços presentes entre estes processos podem conferir conduto para substâncias que são secretadas ocasionalmente por queratinócitos ao passo que eles se aproximam do seu desenvolvimento total.

Os corpos de Odlando, também conhecidos como pequenos grânulos, tratam-se de estruturas encontradas fixadas à membrana lamelar e tornam-se mais evidentes nas camadas mais velhas e externas deste estrato. Com o aumento da quantidade de grânulos lamelares, os queratinócitos espinhosos transformam-se em células granulares e, deste modo, originam a terceira epiderme, denominada camada granulosa. Esta, por sua vez, caracteriza-se pela presença de grânulos ligados aos queratinócitos.

Os grânulos preenchem o citoplasma, na maioria das vezes, por completo. Estas estruturas consistem em pró-filagrina, que é um precursor da filagrina, Esta última, é a proteína responsável pela associação de filamento de ceratina no processo de cornificação (formação da unha). Além disso, a formação no citoplasma do grânulo lamelar continua.

Histologicamente, o núcleo não é claramente diferenciado devido à grande quantidade de grânulos, que contêm, em seu interior, componentes lipídicos, bem como enzimas hidrolíticas e outras proteínas. Certas quantidades de lipídios e enzimas são liberadas no espaço intercelular, passando a ficar preenchidos com ceramidas, colesterol e ácidos graxos. Como conseqüência, a mistura intercelular lipídica gera uma proteção à prova d’água.

As células mais antigas da camada granulosa passam por um processo necrobiótico que abrange a degeneração nuclear e de todo o aparelho metabólico relacionado, havendo liberação e posterior digestão por enzimas lisossômicas. A conciliação entre este evento com o empacotamento de grânulos e a liberação de lipídios, resulta no processo final da ceratinização.

Cada queratinócito, que adota a forma escamosa, neste ponto encontra-se isento de organelas, sendo preenchido com queratina e sua forma agregada, a queratoialina. Estas células ainda encontram-se recobertas pela membrana celular rica em lipídios. As células que estão passando por este processo final, recebem o nome de camada lúcida e, histologicamente, pode ser observada somente na pele espessa.

Quando o processo de queratinização encontra-se completo, as células se juntam com outras células que já passara, pelo processo anteriormente para dar origem à camada córnea, a mais externa da epiderme. Nesta, os filamentos de queratina de cada célula estão rearranjados paralelamente à superfície epitelial. No interior de suas camadas mais profundas, as células opostas adjacentes apresentam-se firmemente comprimidas umas as outras, juntamente com vários desmossomas e depósitos intercelulares, o que confere uma forte proteção à camada.

Entre as células mais externas, a vedação não é tão forte, pois nesta estão presentes desmossomas e depósito intercelulares em menor quantidade. Com a ocorrência do processo de abrasão natural (descamação), estas células podem ser removidas. Esta camada superficial de células que está sendo constantemente removida é denominada camada disjunta.

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Queratinócito
Foto: http://anatpat.unicamp.br/lamgin26.html
Tratado de Histologia Veterinária – Samuelson, Don A., 2007.

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